quinta-feira, 29 de julho de 2010

Desentendimentos - Carmen N. Kuroviski

O mundo está formado de grupos que se olham com desconfiança crescente. O egoísmo, medo, orgulho não estão espalhados no ar, estão dentro das pessoas que não tem coragem de remover as barreiras que os separam.

Nos relacionamentos é freqüente vermos separações por mal entendidos, as pessoas afastam-se magoadas pela falta de compreensão, enfrentando a irritação do parceiro que julga a sua atitude como obstinação e leviandade. Tímidos um perante o outro, começam a seguir caminhos diferentes.

É o medo que leva a esse caminho, esconde os enganos e os fracassos, o indivíduo toma ares despreocupados quando absolutamente não está tranqüilo. Tem medo de ser enganado em seus negócios, em suas aspirações, teme abandonar algum hábito ou mesmo seu comodismo, não quer dar oportunidade ao outro e então disfarça suas intenções. E assim vai contribuindo para a criação desta atmosfera de suspeitas e desconfianças.

Franqueza, confiança, compreensão, amor, carinho, aconchego, nada disto pode existir entre pessoas que se escondem umas das outras. Só pode haver tais emoções se despir à máscara e abandonar o fingimento, deixar que o outro o conheça como é realmente. E isso exige coragem.

Viver dissimulando levanta barreiras, enclausura, cria o afastamento o isolamento e pensamentos mórbidos, que causam doenças.

Quando o indivíduo resolve viver às claras consigo mesmo e com outros, provoca uma verdadeira revolução. Um político que pede desculpas pela violência de um discurso, provoca o entendimento imediato entre partidos. O presidente de uma empresa, reconhece o lucro excessivo, propõe aos concorrentes uma baixa de preços. Um pai que conta a um filho suas próprias dificuldades. Um casal, há muito separado, resolve falar com franqueza, abrir o coração. Então tudo volta ao normal.

Duas pessoas não podem conviver, a menos que haja, entre eles, confiança recíproca. É este apego aos próprios fins, aos próprios interesses, que afasta e divide as pessoas em facções antagônicas por que só permanecem unidas enquanto os seus interesses não entram em conflito.

O indivíduo que tenta se vingar de uma pseudo-agressão que jamais existiu, através do comportamento, da raiva, das atitudes inconseqüentes, das mentiras, dos gestos antipáticos, das provocações, do orgulho, o que consegue é matar na outra o respeito por si mesmo gerando o afastamento em um círculo vicioso de magoa e ressentimentos.

O homem só vence estas dificuldades quando das profundezas de seu eu, sobe a tona sua força interior para libertá-lo. Sabemos que não possuímos bastante energia para quebrar de uma vez os moldes no qual nos enquadramos. Mas, pelo menos podemos reconhecer que somos senhores de algumas de nossas ações.

Por Carmen N. Kuroviski



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