quinta-feira, 29 de julho de 2010

O Relacionamento Conjugal - Roberto Dantas

A questão aqui não é ditar regras sobre como viver um relacionamento conjugal, pois cada casal representa 2 universos cada qual com suas características próprias em termos de motivações, características, experiências, e... recalques.

A dualidade existente na natureza, presente em tudo o que nos cerca, através das energias representadas por Yin e Yang, nos dá uma dica de como o processo de equilíbrio se processa:

O "caminho do meio"

A união entre 2 pessoas simbolizam a busca espiritual do ser humano, da dualidade (masculino e feminino - positivo e negativo ) para a unidade (Deus), sendo assim, o masculino e o feminino, a ação e a intuição, a razão e a emoção... Muito bonito mas na prática não é bem assim... Por que?

Tenho observado alguns fatores que implicam na desarmonia do relacionamento de um casal :

- imaturidade afetiva, infantilidade no relacionamento, birras, etc.

- individualidade - fazer tudo do seu jeito sem se importar com a opinião do outro (autoritarismo : "quero assim e pronto, o outro que se dane...)

- incapacidade em ceder (orgulho e rigidez)

- falta de autoconhecimento (desconhecer suas emoções e dinâmicas : vítima, caçador, salvador, etc.)

- supervalorização excessiva do status, posição profissional e dinheiro (soberba), em relação a valores permanentes e gratificantes a nível mais profundo e humano.

- agressividade que se acumula fora de casa (geralmente no trabalho) e se descarrega em casa (ou nos membros da família), falta de autocontrole..

- infidelidade. obs: a fidelidade é mais fácil quando se vive cultivando alegria e amor.

Muitos divórcios se originam de pelo menos um dos pontos acima, que poderiam ser trabalhados individualmente ou em casal através de uma psicoterapia ou simplesmente pela auto-observação consciente, .

Algumas reflexões que, ao meu ver, se tornam importantes num relacionamento a dois.

1. ser realista - não existe mulher ou homem ideal, e temos o livre-arbítrio de dar ênfase tanto aos defeitos como às qualidades do parceiro.

Quando enxergar um defeito do outro, que o irrita, refletir se esta percepção não é um reflexo de nossas características internas.

2. delimitar os espaços - aqui, quero dizer separar as áreas da vida como família, o trabalho, os problemas financeiros, as insatisfações pessoais para que estas não sejam descarregadas nos membros da família. Normalmente, quando temos problemas financeiros, desemprego, dividas, ficamos irritados com o cônjuge buscando um culpado, e assim desestruturamos o convívio.

Separar as áreas da vida significa não levar trabalho pra casa, não trabalhar no fim de semana em detrimento da família, também não ficar resolvendo problemas familiares no horário de trabalho, não descontar suas insatisfações por problemas financeiros nos membros da família, não culpar o cônjuge ou os filhos por insatisfações pessoais, resolvendo-as com um especialista.

3. exercitar a harmonia - a troca em todos os sentidos, na conversa, no carinho, no sexo, na amizade. Muitas pessoas reclamam que o parceiro não lhe dão carinho, mas elas próprias também não dão carinho ao parceiro. Acham que têm o direito de receber mas não o dever de dar...

Outro aspecto importante é o companheirismo. Um casal que não cultiva a amizade, cai no perigo de se tornar inimigos quando a paixão não mais estiver presente. " A amizade é o próprio amor incondicional!"

O casamento ou um relacionamento, é como uma plantinha. Precisa ser cultivada, adubada... Para isso, contribuem a admiração, a aceitação dos erros dos outros, pela consciência de que também nós temos os nossos.

A demonstração de que o parceiro pode contar com o nosso apoio nas horas difíceis, o diálogo franco e aberto mas sempre com equilíbrio e bom senso sem ofender ou magoar o outro, (falar tudo o que vem à mente sem cuidado não é honestidade, mas falta de respeito pelos sentimentos do próximo), o perdão sincero nos momentos de crise...

O cultivo da energia no relacionamento e no lar, fazendo com que o outro seja seu companheiro, seu colo, seu ninho, seu abrigo seguro, quando voltar para casa...

Um local e alguém com quem você possa rir, relaxar, carregar sua bateria de afetos mas também ter o prazer de sentir-se importante por ser também este "ninho", carregando a bateria de afetos do companheiro.

Roberto Dantas - Psicanalista e Psicoterapeuta membro do Instituto Alvorecer - S.P.- Fone (11) 6848.2300
E-mail: rodavi@ig.com.br



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