terça-feira, 20 de julho de 2010

Sem Sorte no Amor - Vera Ghimel

Entra ano, sai ano e a queixa é sempre a mesma. Estou sem amor! Mas o que será que acontece com algumas pessoas que não encontram o seu par? No começo pensava que a integração familiar (terapia de canalização dos arquétipos pai/mãe/criança) poderia ajudar, como já ajuda em muitos casos. Mas percebi que ainda não era suficiente. A integração prepara para melhores relacionamentos, mas não retira o estrago feito por um desastroso casamento. O que se passa, então? Eu sempre disse que quando nos relacionamos sexualmente com alguém, estamos nos embaraçando karmicamente com este alguém. Como se nós estivéssemos atraindo o foco de realidade dessa pessoa para nós. Vence quem estiver mais forte nessa relação. Numa quebra de convivência, a parte mais frágil ficará desestabilizada e o que é pior, com o arquétipo do(a) parceiro(a) dentro dele. A partir de então parece que a fila dos mesmos relacionamentos começam a andar na nossa direção. São padrões específicos do amor terreno. Muitas pessoas ficam como viciadas nessa vivência em que só restam duas alternativas: uma é se fechar para o amor e outra é atrair pessoas iguais ao último e difícil relacionamento.

Para quem não quer se submeter a alguma terapia, aconselho a ficar diante da fotografia dele ou dela e dizer tudo o que não pode ou não conseguiu. Pelo menos haverá a possibilidade de transformar todo o resultado negativo do relacionamento, em algo melhor. Sempre retemos na memória a parte pior da relação. Muita gente corre para outros relacionamentos com o intuito de “apagar” o último. Como se quisesse expulsar as más lembranças ou o arquétipo do(a) parceiro(a) que ficou.

Cada relacionamento nos traz uma provocação sobre nós mesmos. Atraímos pares que nos estimularão a mostrar nossos lados melhores e também piores. Saímos muitas vezes desses casamentos como se estivéssemos numa verdadeira guerra, onde o que perdemos de mais valioso é a nossa auto-estima. Nos entregamos na tentativa de suprir nossas maiores carências e muitos se tornam reféns de comportamentos manipuladores e até psicóticos. Quando há filhos, pior fica. Parece que não há solução. Só resta agüentar. Atendo pessoas recém-separadas e com os seus personagens(ego) totalmente destruídos. Quando vamos verificar, tudo começou com um pai ausente, ditador ou cruel. Isso serve para os homens que procuram menos a terapia, nesses casos. Quando chegam a fazê-lo nos deparamos com uma mãe castradora, ausente ou até molestadora.

Atendi um paciente que, aos 62 anos, não sabia porque há 25 anos mantinha um relacionamento homossexual masoquista, onde o parceiro o agredia sistematicamente. Um homem sensível, bondoso e triste. Fomos buscar a informação em seus 2 anos de idade. Seu pai o molestava, diariamente, ameaçando-o se contasse. Nem precisa dizer o que aconteceu quando lhe disse o que via. Chorou copiosamente como uma criança vilipendiada em sua inocência. Entendera, finalmente, porque seu pai gritava, antes de morrer, que o perdoasse. Hoje reconciliou-se com a família com quem não tinha mais contato fazia anos.

Somos condicionados pelos acontecimentos e nos viciamos a eles, atraindo situações que irão nos mostrar o que ainda temos que ver em nós mesmos.

Não deixemos as oportunidades irem embora sem um bom diagnóstico do que nos causou. É a melhor garantia de que não mais precisaremos sofrer por amor.

Vera Ghimel - veraghimel@oi.com.br



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