segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A Lição das Ondas - Dr. Luiz Alberto Py

Como se libertar de um amor que não deu certo? Essa é uma questão recorrente. Nossas emoções são forças da natureza, e por isto têm a intensidade de uma torrente, muitas vezes incontrolável.

Vivi minha infância na praia de Copacabana e tive a oportunidade de conviver com a imensa força do mar. Dois ensinamentos foram valiosos: aceitar que o mar é muito mais forte e, portanto, respeitá-lo. E não me opor à sua força, mas contorná-la pacientemente. Quando a corrente nos pegava e levava não adiantava nadar contra ela. A gente se cansava e não saía do mesmo lugar. A única solução era se deixar levar e ir, aos poucos, saindo de lado. Exigia calma e só conseguíamos voltar à areia muito tempo depois e bem longe do ponto onde estávamos. Mas a gente voltava e estava pronto para entrar na água outra vez. E quando as ondas, na arrebentação, nos derrubavam, o jeito era mergulhar e ficar quietinho no fundo esperando elas passarem e o mar se acalmar.

Nosso coração nos leva, como a corrente marítima, e nos derruba, como as ondas arrebentando na praia. É preciso saber esperar e aprender a sair de lado, aos poucos. Respeitar não significa concordar ou ficar submisso, mas reconhecer a intensidade de nossos sentimentos para poder lidar com eles. Como disse o genial Ataulfo Alves no samba Vai na paz de Deus: Sei que tua ausência vai causar meu padecer, mas com paciência poderei te esquecer.

A emoção é o nosso motor, sem ela ficamos parados. Sem a razão que a oriente, a emoção nos faz mover sem direção. A razão é o leme, que dá direção aos nossos sentimentos e deve comandar nossa vida afetiva usando os recursos de inteligência que possuímos. Ela sozinha não pode nos mover, é necessário que a emoção nos impulsione. Só assim se pode chegar à felicidade.

Luiz Alberto Py - http://doutorpy.blogspot.com/



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