terça-feira, 31 de agosto de 2010

Obstáculos ao Crescimento - Virgílio Vasconcelos Vilela

Ou serão oportunidades?

Se tudo o que você faz flui naturalmente, sem nada que atrapalhe, você não precisa ler isto. Mas creio que o mais realista mesmo é encontramos obstáculos, alguns deles em nós mesmos e coisas que possivelmente nem escolhemos, apenas foram efeitos indesejados de escolhas que algum dia fizemos. Veja aqui alguns que você pode encontrar nesse caminho de explorar melhor o imenso potencial de inteligência com que nascemos. Para cada um também vão sugestões de ações.

O fato de os chamarmos "obstáculos" é circunstancial. Se você quiser referir-se a eles como "oportunidades de melhoria e aprendizagem", tanto melhor, essa escolha é sua. O que importa mesmo são as possibilidades de ação que nos são inspiradas.

1) Inflexibilidade de modelos mentais

Desde que começamos a perceber as coisas, vamos formando modelos mentais de como nós, as outras pessoas e o mundo são e funcionam. Às vezes, esses modelos não são muito precisos ou até são errados, como no caso em que formamos uma imagem de uma pessoa, diferente da realidade. Quando queremos mudar, esses modelos podem nos atrapalhar, em particular quando nos apegamos a eles como se fossem uma tábua de salvação, por vezes de forma inconsciente, isto é, nem nos lembramos de que estão por lá.

Ações possíveis: Os modelos mentais são filtros da percepção, eles nos guiam, por exemplo, sobre o que é importante notar e como interpretar o que notamos. Experimentar um novo filtro é surpreendentemente fácil, bastando usar uma estrutura do tipo “E se...? ou “Como se”, de forma análoga a brincar de médico ou de teatrinho. Quer ver? Certifique-se de que não há ninguém vendo e faça de conta por 30 segundos (mais do que isso, eu não me responsabilizo...) que é louco varrido. Muita gente muda o filtro ao conversar com um bebê (alguns com a namorada).

Teste com um princípio da PNL: “Todo comportamento tem uma intenção positiva”. Lembre-se de uma situação qualquer com gente e observe-a com esse filtro: qual é a intenção positiva da pessoa X? E agora, qual está sendo sua intenção positiva ao ler isto?

2) Superficialidade

Muitas vezes presumimos que sabemos algo, tentamos aplicá-lo e... nada. Uma possível causa disso é que de fato não aprendemos tudo que devíamos ou não tão bem quanto preciso - um erro de cálculo. Um manual de videocassete, por exemplo, tem instruções passo a passo, e só fica difícil quando há pressa na obtenção de resultados e desatenção.

Ações possíveis: Dê-se tempo. Preste mais atenção, com mais calma. Estude, pratique e aplique mais, teste-se e teste o novo conhecimento ou habilidade. Quando errar, verifique se isso foi tão dramático na realidade quanto você imaginou.

3) Não ter objetivos, ou não tê-los bem formulados

Ter um objetivo, querer alcançar algo, é pré-requisito para mobilizarmos nossos recursos. Quem não quer nada, nada faz. Outra forma de ter as coisas dificultadas é ter objetivos que dependem de outras pessoas ou que cuja consecução nem sempre pode ser verificada por ser muito vaga, como possivelmente “ser feliz”. Se você não souber bem o que é felicidade para você, como vai saber que a está vivendo? Isso vale até para relacionamentos: quando você sabe o que quer do outro, não fica cobrando tanto e aceita melhor as limitações dele ou dela

Ações possíveis: ouse querer e gostar de coisas, sem apegar-se demais a elas (exceto talvez às mais importantes e prioritárias), para poder ter mais. Faça uma lista de “quereres” e aumente um por semana. Busque desafios à sua altura, ou um pouco mais, dando-se tempo adequado para vencê-los. Para cada querer, identifique o que ele vai trazer de bom para você ou para outras pessoas.

4) Foco oscilante

As pessoas que gostam de coisas interessantes podem às vezes se deixar levar por elas e perder o foco. Estão atrás de algo, aparece outra coisa mais interessante, elas largam aquela e vão na sua direção, esquecendo a anterior. Se isso ocorre com objetivos de desenvolvimento pessoal, a pessoa pode não se dedicar tempo bastante para conseguir resultados.

Ações possíveis: Conscientização da mudança de foco, observando também outras pessoas. Prática de atenção consciente, como por exemplo ficar prestando atenção em algo e só sair dali por escolha voluntária. Meditação.

5) Motivação por afastamento

Muitas pessoas têm em certas situações um padrão de motivação por afastamento, ou seja, elas agem para que algo desagradável não aconteça ou para não perder alguma coisa, mesmo que não esteja sendo útil. O problema de só ter esse tipo de motivação é que pode ser facilmente perdida. Por exemplo, alguém que quer emagrecer para não ser mal vista pelas pessoas, quando mais reduz o peso, menor a motivação.

Ações possíveis: Prática regular de pensar em e sobre coisas que quer, antecipando possíveis prazeres ao conseguir. Pense três vezes ao dia no que você já tem e conseguiu e já está podendo usufruir, e fique um minuto de cada vez só sentindo como é bom. Se tiver dificuldades, pense em como as coisas poderiam estar ruins e depois pense em como estão agora. Se ainda assim tiver dificuldades, segmente sua vida por papéis (pai ou mãe, filho, profissional, esportista, pensador, etc.) e foque um e sua respectiva área da vida de cada vez.

6) Expectativas irreais de desempenho

Às vezes começamos algo esperando que tenhamos o desempenho e o tempo de resposta de alguém maduro na coisa, e isso é tremendamente irreal. Quando começamos algo, é natural ter algumas dificuldades e baixo rendimento, em particular se não temos ninguém para mostrar o “caminho das pedras”.

Ações possíveis: Reduzir expectativas de desempenho ou não tê-las em absoluto. Projetar expectativas de melhor desempenho mais ao futuro e, se não acontecer, repetir isso.

7) Não ter habilidade, só conhecimento

Nossas ações são resultado de uma combinação de habilidades perceptivas, motoras, mentais e emocionais. Até para processar conhecimento temos que ter habilidade, que é experiência organizada para atingir resultados. Se você não consegue algo ou está difícil, é porque falta habilidade, não capacidade, e qualquer habilidade é treinável.

Ações possíveis: Não saber também é conhecimento, buscar saber o que não sabe. Diante de novos conhecimentos, buscar aplicá-los para algum objetivo.

8) Não estar presente

Temos modelos mentais de passado, presente e futuro, mas é no presente que percebemos, que estamos conscientes que sentimos, que as coisas estão acontecendo e que tomamos decisões. Este agora mesmo em que você está lendo e interpretando essas manchas escuras à sua frente. De vez em quando precisamos prestar atenção no passado, nas memórias, e no futuro, nos planos e preocupações. O problema é ficar tempo demais nesses lugares.

Ações possíveis: Meditar. Trazer conscientemente a atenção para o presente: imagens, sensações, sons. Praticar a auto-observação.

9) Não gerar opções

Ninguém nos ensina na escola que é melhor ter opções do que não tê-las, e saímos pela vida achando que só tem uma resposta certa, que só tem um caminho, quando na verdade pode haver dezenas de respostas e caminhos.

Ações possíveis: Praticar visão de multiplos aspectos. Praticar busca por opções e alternativas de ação em situações variadas.

10) Projeção de conseqüências errada ou distorcida

Diante de uma situação, uma das coisas que fazemos é avaliá-la sob vários pontos de vista: há perigo? Requer ação? Para isso, projetamos desdobramentos futuros da situação. Por exemplo, diante de um cachorro desconhecido, você vai lembrar-se de várias experiências com cachorros, seja a categoria ou o indivíduo, e tentar avaliar o que aquele cachorro pode fazer.

Fazemos o mesmo com possivelmente todas as coisas novas que nos aparecem. Se alguém lhe dá um conselho, você vai verificar se aquele conselho pode ser bom para você. Se você errar nessa verificação, vai perder uma oportunidade. Isto se você não for do tipo que gosta de descobrir por si mesmo, porque nesse caso talvez nem ouça o que lhe disseram.

Ações possíveis: Incorporar a possibilidade de que não é perfeito e sua avaliação pode estar errada, o que vai lhe conduzir a verificar melhor (faça uma avaliação também sobre se isso vai aumentar ou diminuir seu valor). Avaliar com mais profundidade o novo, ou pelo menos não tirar conclusões muito rápidas. Praticar pensar que, por mais que um padrão tenha se repetido no passado, desta vez pode ser diferente.

11) Foco em desprazer

Nossas motivações acabam passando por algum tipo de prazer, mas tem gente que cria hábitos de focalizar, de enfatizar o que é desagradável ou o que dói e acaba perdendo um pouco da habilidade de sentir e desfrutar dos prazeres.

Ação possível: Um exercício simples, para fazer uma ou duas vezes ao dia: lembre-se de uma experiência prazerosa e saudável. Faça de conta que está vivendo o momento agora, vendo, ouvindo e sentindo o que estava vendo, ouvindo e sentindo. Você pode começar agora e sentir se é bom. Você pode também fazer o contrário para experiências chatas: veja o filme como se fosse outra pessoa (quase é, já que você mudou bastante desde então). Não suma totalmente com a lembrança, já que ela pode ser útil como inspiração para alguma coisa a evitar ou para lhe ensinar algo. Lembre-se de voltar ao agora, as energias que você ativa estão sempre no presente.

12) Guardar ressentimentos

De todos os obstáculos, o hábito de ficar guardando ressentimentos talvez seja o mais nocivo ao crescimento, em dois níveis.

No nível social, o ressentimento corta ou prejudica os canais de comunicação entre os envolvidos. Sem comunicação harmônica, não há cooperação, e sem cooperação muitos processos sociais não funcionam.

No nível pessoal, há três aspectos significativos. Primeiro, o ressentimento é uma emoção, e como emoção envolve processos corporais. Ou seja, quem alimenta ressentimentos, sente seus efeitos também no corpo. Efeitos corporais nocivos e repetidos podem causar doenças a médio e longo prazos. Segundo, um ressentimento que está sendo mantido ativo atrai a atenção da pessoa para o passado e portanto diminui a atenção que ela dá aos seus objetivos e ao presente, ou seja, diminui sua capacidade de realizar e de sentir prazer, entre outras. Terceiro, o ressentimento tende a se auto-recriar e se auto-manter, isto é, um ressentimento pode gerar comportamentos que fazem com que hajam mais ressentimentos ou seja intensificado o próprio.

Ações possíveis: A ação neutralizadora do ressentimento chama-se perdão. Você já deve ter notado sua importãncia. Cito uma mensagem que recebi:

"O perdão é uma necessidade absoluta para a continuidade da existência humana", escreveu o bispo africano Desmond Tutu na introdução do livro Exploring Forgiveness (Explorando o Perdão), do psicólogo norte-americano Robert Enright, diretor do Instituto Internacional do Perdão (www.forgiveness-institute.org), da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos."

Como toda realização humana, a primeira coisa para se obter algo é querer. Querendo perdoar, seja por motivos próprios ou de outra ordem, você ativa seus recursos na busca de opções para concretizar o que quer. Por exemplo, se você está querendo perdoar alguém e não sabe o que fazer, certamente se interessou pelos dois links acima, porque eles podem conter inspirações para o que você quer.

Uma vez que você queira perdoar alguém ou algo que esse alguém fez, há várias alternativas. Em essência, eu sinto o perdoar como um "deixar ir", uma permissão para desprender-se e libertar-se de algo. Independentemente do que eu acho, a melhor opção é o que você sabe fazer. Se já perdoou antes, lembre-se de como fez e faça o mesmo agora. Se não, pode buscar inspiração perguntando: "E se eu já tivesse perdoado, como seria?". O "como" do perdão é relativamente secundário, porque, uma vez que você queira e se dê o tempo adequado, vai fazer o que sempre fazemos quando queremos algo verdadeiramente: buscar e pedir e bater e buscar, até conseguir.

Virgílio Vasconcelos Vilela
http://www.possibilidades.com.br



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