quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A Conscientização de Nossos Pensamentos - Ester Pintchovski

Não é muito comum, mas se pararmos um momento para fazer uma reflexão sobre o conteúdo de nossos pensamentos mais cotidianos, é possível identificar idéias e conceitos arcaicos, obtidos em outros momentos de nossa vida, e que não mais se aplicam nos dias de hoje.

Nosso conhecimento é criado através do acúmulo de ensinamentos e experiências adquiridas até então, e por ser adepta da doutrina espírita, acredito que esse conhecimento tem ainda uma carga relativa à vidas passadas.

No momento em que nos deparamos com uma imagem, imediatamente a mente nos traz várias fotos de situações semelhantes que já vivemos, nossa mente então compara, critica, julga e, finalmente, faz seu veredicto. Fazemos isso o tempo todo, com tudo e com todos.

Por exemplo, quando olhamos para uma rosa, pensamos em rosas semelhantes que conhecemos, que cheiramos e tocamos no passado. A mente faz automaticamente todo esse trabalho e, de modo geral, temos uma sensação boa.

Neste mesmo instante, entra em ação um outro mecanismo automático do cérebro, o da crítica. Começamos a comparar e podemos pensar que esta rosa não é tão bonita quanto outras rosas que vimos no passado em algum lugar. Desta forma, esta rosa na nossa frente está condenada a ser uma rosa feia, ou menos bonita, e o encanto se desfaz.

A nossa preocupação em rotular, dar nome aos bois, olhar com olhos de comparação, não nos permite ver o objeto com clareza, como ele é na realidade. Desta forma, se faz muito claro como somos fortemente influenciados pela nossa educação e experiências passadas.

Um exemplo que sempre gosto de dar é o da influência da mãe sobre os filhos, desde pequenos. Tenho a lembrança de que passeando com minha mãe, toda vez que encontravamos uma senhora conhecida, ela dizia:
- Não gosto desta senhora.
Esta experiência ficou gravada em minha mente.
Toda vez que eu encontrava a mesma pessoa, eu percebia que também não gostava dela.

Até o dia em que parei para pensar e percebi como uma idéia e comportamento tão pessoal de minha mãe atingiu meu inconsciente e me fez por um bom tempo pensar e agir de uma forma que não tinha nada a ver com o que eu pessoalmente penso, que não tem nada a ver comigo.

É com este tipo de autocrítica que crescemos e aprendemos a discernir o certo do errado, e começamos a perceber que temos nossas próprias opiniões. Comecei a me perguntar porque não gostava daquela pessoa? O mais interessante é que, na verdade, eu não tinha nenhum motivo nem para gostar ou desgostar daquela pessoa que eu não conhecia e não sabia nada a respeito. Era a opinião da minha mãe e não a minha.

É desta forma que digo que temos que nos conscientizar de nossos pensamentos e não simplesmente deixar nossa mente andar no piloto-automático das influências exteriores.

Afinal “SOMOS O QUE PENSAMOS. O MUNDO É COMO O VEMOS.”

Ester Pintchovski
Professora de Yoga
femejoli@yahoo.com



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