quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Plano Para Fazer Amigos - María Jesús Ribas

Você tem dificuldade para se relacionar com as pessoas e cultivar amizades? Talvez seja uma questão de atitude. Se mudar algumas crenças, pensamentos e costumes, logo descobrirá que pode conquistar os outros sem maiores dificuldades.

A carência ou escassez de vínculos e amizades muitas vezes se deve à falta de habilidade para controlar um dos principais veículos das mensagens: as palavras.

Segundo a psicóloga espanhola Irene Alonso, "as deficiências na capacidade de se comunicar ou se relacionar normalmente se devem a uma aprendizagem deficiente destas habilidades durante a infância, e geram empecilhos, como não saber a maneira de iniciar uma conversa com um desconhecido, ou como falar com o chefe para pedir-lhe algo, ou como solicitar alguma mudança na conduta do companheiro".

A psicóloga Márcia Rodrigues Sousa, especialista no assunto há mais de 20 anos, diz que essa "dificuldade de comunicação começa nos primeiros anos de vida, tanto em casa quanto no colégio, quando a criança não é incentivada a manter contatos mais diretos com os colegas de classe ou do local onde mora. Esta dificuldade, se não for controlada, prolonga-se por toda a vida".

A especialista espanhola diz que "é possível melhorar as habilidades sociais e de comunicação da pessoa trabalhando na forma e conteúdos de sua expressão, mediante a terapia cognitiva e a comportamental, voltadas, respectivamente, a modificar o que ela pensa sobre si mesma e sobre determinada situação e a mudar as condutas ou ações que lhe causam mal-estar".

Estes tratamentos incluem desde um treinamento para se expressar de forma mais eficaz e correta, e a análise das idéias para mudar a percepção negativa sobre si mesmo, até uma exposição progressiva às situações evitadas, a fim de aprender gradualmente a se controlar e depois eliminar o medo.

De acordo com Irene, "entre as pessoas que podem ser mais beneficiadas com as técnicas de habilidade social estão aquelas que querem expressar melhor o que desejam, algo que às vezes não conseguem porque sua mensagem não chega, ou chega mal, a seu interlocutor".

Para Márcia, "o fato de a pessoa querer melhorar sua relação com as demais, até mesmo perder um pouco da timidez, já é parte do tratamento. A partir daí, é que entra o trabalho do psicólogo, do profissional, que guiará o paciente, a fim de que ele consiga atingir uma comunicação mais satisfatória, fazendo sua mensagem ser prontamente compreendida pela outra pessoa".

Curtos-circuitos na comunicação

"Algumas pessoas têm dificuldades para falar, expressar-se ou opinar, pois, devido a razões de educação ou tradição, pensam que não têm direito a isso, porque acreditam que pedir ou negar algo é ruim, ou assumem que seu ponto de vista é sempre menos importante que o dos outros", ressalta Irene.

Na mesma linha, Márcia destaca o "constante complexo de inferioridade de muitas pessoas, que classificam suas opiniões e sugestões de menos interessantes e proveitosas. Isso se deve a uma série de fatores, muitas vezes oriundos na própria família, no ambiente familiar. A educação está sempre intimamente relacionada".

"Outras, por outro lado, são muito ofensivas ao se expressar: dão gritos, alteram a voz ou batem na mesa, o que faz sua mensagem ser rejeitada ou mal interpretada pelos outros", acrescenta Irene.

Márcia lembra também que, "em contrapartida, há quem seja hiperativo na hora de se expressar – muitos dos quais não aceitam a posição alheia –, o que também não é muito bom, causando, às vezes, um efeito contraproducente".

A capacidade para construir amizades depende da habilidade para conversar. Para entrar totalmente e com sucesso no âmbito social, é preciso saber conduzir adequadamente a linguagem.

Para obter e guardar a simpatia sincera ao dialogar, é preciso:

- Escutar os outros: Mostrar consideração significa dar, mas também receber. Abrir-se às pessoas, escutando-as, é uma forma de deixá-las feliz e de se enriquecer. Por exemplo, perguntando a alguém sobre algo que deseja falar e pensando no que se tem em comum com essa pessoa enquanto ela se expressa.

- Pedir explicitamente o que se deseja: Embora a melhor forma de se entender seja falando, muitas vezes se omite informação importante, e grande parte das desavenças ocorre porque algumas pessoas não sabem o que outras querem.

- Contradizer corretamente: Discordar de algo não significa ser desagradável. É preciso testar primeiro as situações rotineiras, com expressões como "não compartilho sua opinião".

- Guardar o nome: Quando você é apresentado à outra pessoa, é muito importante usar o nome dela. Este comportamento tem uma clara recompensa: o outro tentará lembrar o seu. Dirigir-se pelo nome próprio aproxima as pessoas. Por outro lado, utilizar pronomes não é a melhor fórmula.

Texto de María Jesús Ribas
fonte: Yahoo Notícias



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