segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A Sabedoria da Simplicidade - Eliana Barbosa

Retornando, dias atrás, da fantástica experiência de morar por quatro meses em Los Angeles, eu e meu marido – Fernando - estávamos comentando sobre o quanto é desnecessário e, por vezes até inconveniente o acúmulo de bens materiais. Sim, porque quando minha família e eu partimos daqui do Brasil levamos apenas o máximo de bagagem que é permitido em uma viagem para os EUA e, ao arrumar nossas malas para voltarmos, constatei, com bastante surpresa, que mesmo deste pouco de nossos pertences que levamos na viagem, não usamos nem a metade.

E, pensando nisso, vejo que quanto mais coisas eu tenho, menos livre eu sou, porque acabo sofrendo a interferência do apego e, com isso, me sinto muito mais limitada para tantas oportunidades que a vida oferece.

Eu sei que é muito estimulante ter casas bem decoradas, roupas e sapatos da moda, jóias e carros confortáveis. Mas, se você tem a chance de conhecer o mundo e vivenciar outras culturas, tudo isso que você valorizou a vida inteira não vai poder ir com você, e, dessa forma, conheço muitas pessoas que temem as mudanças em suas vidas – em todos os sentidos -, justamente porque terão, é claro, que exercitar o desapego.

Por isso, uma das maiores lições que aprendi nesse período fora de nossa casa é que, mais do que nunca, precisamos simplificar as nossas vidas e aprimorarmos o cultivo do que realmente é eterno, construtivo e que não ocupa espaço algum: nossos valores morais, porque estes se encaixam em quaisquer lugares ou culturas e nós podemos e devemos levar conosco, para sempre!

Complemento esta reflexão, com uma pequena história sobre a sabedoria da simplicidade, de autor desconhecido: “Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio. O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito simples e cheio de livros. As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco. ‘Onde estão seus móveis?’ - perguntou o turista. E o sábio, bem depressa, respondeu com outra pergunta:‘E onde estão os seus móveis?’ Muito surpreso, o turista respondeu: ‘Os meus?! Como assim? Eu estou aqui só de passagem...’ E, então, o sábio concluiu: ‘E eu também – estou aqui só de passagem!’”

Eliana Barbosa
http://www.elianabarbosa.com.br/



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