sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Coragem para o Bem - André Luiz

Atitude imperfeitamente conhecida, raramente praticada.

Não se constitui apenas de fé, não obstante a fé se lhe mantenha por raiz de sustentação.

Não é tão somente esperança, conquanto a esperança lhe assegure a seiva de força.

Tratamos aqui da coragem para o bem, porque o bem exige coragem para ser feito.

Enfeita-se o mal de mil modos com os adornos do bem, de tal sorte que para extirpá-lo da vida a fim de que o bem verdadeiro se levante na alma, é imprescindível, em muitas ocasiões, até mesmo a coragem de ser só, qual aconteceu com Jesus no último dia de sua luta pela verdade.

Em numerosas reencarnções, temos interpretado a coragem como sendo arremesso do espírito para a destruição.

Partilhamos guerras de extermínio, crueldades, delitos, depravações, arvorandonos em campeões da coragem quando não passávamos de malfeitores acobertados pela falsa legalidade de estatutos forjadoss na base da delinqüência.

Convertíamos o clarão da crença em labaredas da violência, transfigurávamos o alimento da esperança em veneno da ambição desregrada e, no pressuposto de sermos firmes e corajosos, nada mais fazíamos que inventar a invigilância que nos impeliu à fossa das grandes culpas, em cujo lodo nos refocilamos durante séculos de sofrimento reparador.

Desse modo, aprendemos hoje com a Doutrina Espírita, a coragem que Jesus exemplificou, a expressar-se no valor moral de quem atribui a Deus todas as bênçãos da vida, para canalizar as bênçãos da própria vida a serviço da felicidade geral.

Coragem de apagar-nos e esquecer-nos, para que o ensinamento se estenda e triunfe soerguendo o nível de entendimento e elevação para todos, muito embora trabalhando e servindo constantemente sem nada pedir para nós.

Coragem de silenciar e coragem de falar no momento oportuno.
Coragem de fazer ou deixar de fazer, coerentes com o ensino do Mestre quando nos mostrou que uma só consciência tranqüila, na execução do dever ante a Providência Divina, pode mais que a multidão.

Coragem como apoio vivo capaz de viver para o bem dos outros e também de desencarnar, quando preciso, para que os outros não sejam dominados pelo mal que nos impõe a morte.

Coragem sim. Coragem de sermos bons e simples, afetuosos e leais, porque hoje entendemos, no Evangelho Restaurado, que bastam audácia e manha para dominar os outros, mas somente à custa da coragem que o Cristo nos legou é que conseguiremos a vitória em nós e sobre nós, para que nos coloquemos ao encontro da Grande Vida que estua além da vida terrestre.

ANDRÉ LUIZ
(Sol na Almas, 2, Waldo Vieira, edição CEC)



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