segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Olhando Para Deus - Pe. Fábio de Melo

Gosto de olhar para Deus. Gosto de esperar por Ele, sobretudo nos momentos das minhas desesperanças. Olho-o como quem olha querendo decorar, aprender, incorporar. Faço inúmeros pedidos à Ele, mas tenho sempre o cuidado para que minhas preces não sejam formuladas nos verbos imperativos... Prefiro apresentar as questões, colocá-las em suas mãos e depois esperar pela vida. Tenho medo de tornar-me o deus de Deus. Receio que minhas preces sejam ordens mesquinhas Àquele que tudo sabe de mim.

A teologia nos ensina que em Deus não há variação de humor. Ele é sempre amor, movimento que não sai da rota que lhe coloca na coerência de ser o que é. E por isso é fácil entender a ação de Deus na vida humana. Dizer que Ele permite acidentes, que permite doenças e que protege e desprotege é o mesmo que colocar uma contradição naquilo que Ele é.

Expliquem-me, então: se Deus é amor, como posso entender que uma criança como o nosso querido Lucas tenha um câncer que viaja pelo seu corpo? Como não entender que Ele não tenha curado o nosso padre Léo de sua enfermidade tão dilacerante? Aí você pode me perguntar: “Então não adianta rezar, padre?” E eu respondo: "adianta minha filha, meu filho".

Rezamos, não para que Deus faça o que queremos, mas para que tenhamos forças de entender as fragilidades da vida, os limites do nosso corpo, e quem sabe, viver a surpresa da cura inesperada, quando tudo indicava que já tivéssemos chegado ao fim. Rezamos porque temos direito de pedir, de clamar, e de explicar as razões dos nossos desejos, mas não temos o direito de determinar o que Ele terá que fazer. Estamos constantemente debaixo da proteção divina. Ela não nos deixa nunca, mesmo quando não pedimos por ela.

Pe. Fábio de Melo



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