quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Você Tem Lembrado de Se Amar? - Emilce Shrividya Starling

A essência do Yoga é se amar e se respeitar. A maioria das pessoas nem pensa em se amar. Fazem tudo para se diminuir, se destroem com vícios e hábitos errados, ou acham que devem amar aos outros, o mundo, mas não entendem que esse amor deve começar dentro de si mesmas, por elas mesmas.

Lembre-se dessas duas palavras mágicas: Ame-se. Se precisar coloque lembretes para você mesma. Leia livros sobre auto-estima, contemple suas qualidades, valorize-se.

Quando alguém tem baixa-estima, se diminui, o problema básico da vida dele é este. Todos os outros problemas surgem desse sentimento de não aceitação, de depreciação.

A vida é superficial sem amor e toda nossa vida se torna vazia, sem sentido. É o amor que nos motiva a fazer tudo com entusiasmo e boa-vontade. Quando descobrimos o amor interior, a vida tem significado e propósito.

No amor não há orgulho, não há preocupação. No amor há espontaneidade, alegria natural que vem do Ser interior.

O que nos impede de sentir amor é o ego. O ego está sempre ansioso, preocupado, rígido, orgulhoso, preconceituoso, competindo com alguém, se culpando ou culpando os outros. Essas emoções negativas alimentam o ego, que é nosso maior inimigo. Por causa do ego, perdemos momentos de alegria e naturalidade, nos desgastamos e não saboreamos a vida plenamente.

Não podemos ficar livres do ego, mas precisamos purificá-lo. Na prática do Yoga purificamos e transformamos o ego. O ego é a identificação com muitas limitações como: “Não mereço, não consigo, é difícil, ninguém gosta de mim, sou desajeitado, sou feia, meu cabelo é feio, não gosto de minha aparência, estou gorda, estou magra, não tenho habilidades, não vou ser feliz no amor, sou culpada, etc...” Esses sentimentos negativos e de depreciação fortificam o ego impróprio e cada vez mais ficamos escravos da baixa-estima e realmente não poderemos ser felizes alimentando tais pensamentos.

É necessário transformar o ego impróprio em ego próprio que reflete a luz do Ser: “Eu sou merecedora, eu mereço o melhor da vida,sou perfeita, sou próspera, sou jovem, sou bonita, sou saudável, sou inteligente, sou capaz, aprendo com meus erros, me permito errar e aprender, sou bondosa, gosto de minha aparência, valorizo minhas habilidades e qualidades, e a cada dia descubro beleza em meu interior, sou alegre e feliz, me divirto com a vida, etc.

O ego próprio pensa bem de si mesmo: “Eu sou o Ser interior. Eu sou puro, perfeito e digno. O ego impróprio está sempre pensando mal de si mesmo:” Eu sou pecador e indigno e não merecedor.

Desta mudança interior depende nossa saúde física, mental, emocional, social e espiritual. Através de um ego próprio você desenvolve sua criatividade, mais habilidades, mais confiança em você mesmo, torna-se mais livre para ser mais feliz e espontâneo.

Nossos problemas na vida existem no ego e na mente. Erradamente pensamos que nosso karma é nosso problema, mas nosso karma é perfeito como ele é. Portanto, todas as práticas do Yoga, como hatha-yoga, meditação, canto dos mantras, contemplação, serviço desinteressado, têm o objetivo de purificar o ego e mente.

Vamos identificar o ego para podermos nos libertar dele:

O ego é composto de inimigos internos como: desejo, raiva, ambição, ciúme, inveja, paixão, orgulho, medo e preocupação. Precisamos aprender a lidar com esses inimigos internos, identificando-os dentro de nós. Muitas vezes negamos essas emoções e sentimentos e ficamos mais presos e amarrados a elas.

Através da prática do Yoga, da contemplação, da meditação, da observação da mente, vamos aprendendo a lidar com esses verdadeiros inimigos e podendo assim superá-los, nos libertando.

Estamos no ego quando estamos sérios e rígidos. O ego nos faz agir com seriedade, com preocupação, ansiedade e medos. Agimos compulsivamente e ficamos presos a hábitos e condicionamentos. O corpo fica tenso e rígido. Daí a necessidade de se tornar mais flexível tanto no corpo como na mente. Precisamos nos aceitar como somos, somente assim poderemos mudar para melhor.

Muitas vezes as pessoas se sentem inferiores, nem pensam em se amar. Acham que são incompetentes, sem talento, sentem-se rejeitadas e que ninguém seria capaz de amá-las.

Quando se olham no espelho, nunca gostam da maneira que pentearam o cabelo, só procuram defeitos e rugas no rosto. Nunca vêem o brilho dos próprios olhos, nem a beleza do sorriso nem se olham sentindo amor e aceitação por si mesmas.

Essas pessoas não gostam do que fazem ou como são. Não se acham suficientemente boas e merecedoras de amor. A baixa auto-estima está ligada a muito do que fazem ou do que não fazem, e isso conduz a muitos problemas como depressão e tristeza, sentimentos de ser impróprias e incapazes para a vida.

Acham que é egoísmo se amar, se levar em consideração ou se colocar em primeiro lugar. Acham que só tem algum valor se fizerem alguma coisa para alguém ou tomarem conta de alguém e por isso nunca dizem não. Acham que tem que fazer algo pelas pessoas para conseguir e manter a amizade delas.

Essas pessoas que vivem no ego impróprio, com baixa-estima, se criticam o tempo todo e criticam os outros. Exigem perfeição de si mesmas e dos outros. Ficam na defensiva e não admitem nenhuma crítica porque como tem tão pouca auto-estima, qualquer crítica mesmo construtiva é como uma ameaça e assim, se tornam irritadas e com raiva. Como têm tal necessidade de ser perfeitas e se envergonham de não conseguir isso, não podem permitir que alguém diga que fizeram algo errado.

Isto gera o vício de trabalhar, permanecendo tão ocupadas que não conseguem saborear a vida, recusam desfrutar a vida, alimentam o perfeccionismo que não permite aproveitarem ou se sentirem bem com as coisas que fazem. Guardam pilhas e pilhas de culpa, de cobranças e incertezas e fogem de se relacionar com as pessoas.

Elas encontram muitas maneiras de se punir e torturar, como comer demais ou de menos, imaginar cenas futuras dolorosas ou ficar relembrando sofrimentos passados. Criam várias cenas com “se” e vão gerando medo dentro de si mesmas. E depois, não entendem nem descobrem de onde surgiu tanto medo.

Por não gostar delas mesmas, não deixam que algo de bom lhes aconteça porque não se acham merecedoras.

Precisam parar de agir assim e começar a compreender que são pessoas boas. Que é maravilhoso ser quem são. Não há nada de errado com elas. Estão exatamente onde devem estar neste momento. Se por acaso fizeram algo errado, tudo bem; aprendam e façam agora o melhor que puderem.

É muito importante ser bons para nós mesmos. Sermos carinhosos e bondosos para com nós mesmos.Precisamos parar de nos culpar e de nos fazer de vítimas. Precisamos ser responsáveis e ao mesmo tempo ser gentis, atenciosos, amáveis e pacientes com nós mesmos. Honrar e respeitar a nós mesmos. Sermos verdadeiros e autênticos.

Quando não estamos atolados no ego, vivenciamos tudo com tranqüilidade, alegria e bom humor. Precisamos encontrar em nossas ações o equilíbrio entre a responsabilidade e a leveza de espírito, a firmeza e a leveza dentro de nós. Viver com a consciência do: “Eu sou digno e merecedor. Eu sou o Ser interior”.

Como disse Baba: “O ser humano não é a criatura inadequada que pode parecer. Ele é sublime e somente se prejudica porque não está consciente de seu próprio valor e dignidade”.

As palavras de Baba são muito profundas quando ele diz: “Você é sublime; você é digno. Por que você sofre?“

“Você sofre porque pensa que não é bom o suficiente. Quando você experimenta divindade? Quando você sabe: Eu sou sublime, eu digno e merecedor”.

Faça agora uma pausa. Vamos fazer uma contemplação. Respire tranqüilamente. Sinta a inspiração e a expiração. Aquiete sua mente com a respiração.

Quando sua respiração fluir naturalmente, gentilmente, contemple as palavras de Baba: Eu sou sublime. Eu sou digno e merecedor.

Inspire e mentalize: Eu sou sublime. Expire e sinta: Eu sou digno e merecedor.

Quando você acalma sua mente e se permite relaxar por alguns momentos focando sua atenção em palavras divinas, tais palavras lhe conduzem ao estado natural do Ser interior.

Continue respirando tranqüilamente.

Permita que estas palavras lhe conduzam além de suas limitações, além do medo, do fracasso, além do ego limitante, além da raiva.

Permita que o poder destas palavras lhe conduza para a sabedoria interior. Deixe que estas palavras lhe conduzam para o sucesso, para a prosperidade, para a auto-estima.

Transforme-se para melhor. Desperte para sua força interior, desperte para sua própria divindade. Sinta o que Baba disse: “Deus habita em você como você para você.”

Om Shantih! Fique em paz!

Com amor,

Emilce Shrividya
http://www.yogalakshmi.pro.br

Notas bibliográficas:
Chidvilasananda,Gurumayi- Courage and Contentment- Ed. Syda Foundation.
Beattie, Melody-Co-dependência nunca mais-Ed. Record.



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