quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Há Um Tempo Para Ser Feliz? - Maria Silvia Orlovas

Quando vemos os noticiários da TV mostrando guerras e destruições causadas por mudanças climáticas e julgamentos de crimes hediondos, somos levados a pensar que não existe felicidade. Algumas vertentes espiritualistas dizem que idealizamos a felicidade e já ouvi também muitos falarem que a felicidade é apenas um intervalo entre duas tristezas...

Quantas tristezas, então, temos que enfrentar para sermos felizes?

Não tenho respostas conclusivas, mas procuro aprender com as lições da vida e com os ensinamentos que as pessoas compartilham comigo e posso dizer que se não alimentarmos o sofrimento, naturalmente essa vibração negativa vai se esvaziando. E, ao procurarmos entrar na sintonia da aceitação do mundo que nos cerca, num compromisso real de focar o lado positivo das coisas, o canal da felicidade se abre.

Percebo que a maioria das pessoas espera certos sucessos pessoais para ser feliz. Alguns estão à espera de uma nova oportunidade profissional, outros de um novo amor ou da volta de uma pessoa especial em sua vida. Outros ainda aguardam uma trégua em situações de conflito. Porém, todos sabemos que isso tudo seria maravilhoso, mas nem sempre é assim que as coisas acontecem.

Para falar a verdade, em geral os problemas são solucionados sem que prestemos muita atenção na solução já que as coisas costumam se avolumar à nossa volta e, aquilo que era tão importante deixa de ser, no momento em que se resolve. Além disso, temos ainda outros projetos, sonhos e expectativas em nossos corações, o que causa mais motivos de aflição. Assim mergulhamos na roda de samsara sem ter a menor idéia de onde começam as nossas preocupações e onde exatamente elas terminam...

Ao longo da minha caminhada fui aprendendo que a meditação é um importante instrumento de cura, porque quando conseguimos meditar entramos num estado de contemplação da vida e, assim, mais soltos da roda viva diária, somos abençoados com intuições e bênçãos que nos ajudam na solução de problemas.

Tenho comentado em meus artigos que podemos desenvolver uma ação poderosa em nossa vida, porque percebo que muitas pessoas se sentem completamente impotentes diante do destino. Repito isso por ser talvez uma das primeiras lições que a Fraternidade Branca ensina no processo de ascensão espiritual.

Os mestres costumam dizer que antes das mudanças externas - e já podemos notar estas acontecendo no planeta - os processos internos serão acelerados. Assim, karmas pessoais estão sendo trazidos à consciência para serem transmutados e relacionamentos estão sendo repensados, pois como diz o mestre da Chama Violeta: “O tempo de mudança urge!” Não é mais tempo de tentar tapar o sol com a peneira; agora é hora de mudar o que podemos. Claro que nem tudo depende de nós, mas devemos usar bem nossa energia e fazer o que nos compete. Os frutos virão, ora mais rápido, ora de forma mais lenta, cada um na sua capacidade e tempo.

Dentro das particularidades do meu trabalho, observo que num mesmo dia costumo atender pessoas que estão na mesma vibração. Devo confidenciar a você que tenho uma profunda gratidão aos Mestres por terem me colocado para fazer o que faço, pois aprendo demais com o que vejo à minha volta.

Numa quinta-feira atendi duas moças que me procuraram para resolver questões familiares; ambas eram comprometidas demais com seu círculo familiar, lutadoras e vencedoras porque tinham conquistado um lugar de destaque no trabalho e sustentavam a família não apenas materialmente, mas também dando apoio espiritual; porém, as duas eram infelizes no amor. E, claro, a questão eram os relacionamentos que não davam certo. Por que acontecia isso já que havia da parte delas uma enorme dedicação ao outro?

Não cabe aqui narrar as particularidades de cada uma já que estou usando essa questão como um exemplo, mas devo dizer que ambas de fato tinham o chakra cardíaco aberto emanando amor como se fosse uma estrada de mão única, e aí é que morava a questão. Ambas sabiam doar amor e o faziam com muita disponibilidade, mas nenhuma das duas estava aberta para receber. Cada uma na sua forma de viver tinha passado por relacionamentos afetivos difíceis e depois de finalizar suas histórias não permitiram mais a aproximação de ninguém. Claro que esse comportamento não era algo consciente nem desejado, porque ambas queriam demais refazer suas vidas. Expliquei que para receber alguém temos que estar prontos para desencantos e não exigir demais das pessoas. Claro que precisamos também nos conhecermos profundamente e nos apaixonarmos primeiro por nós mesmos, num exercício profundo de auto-observação, para não acobertarmos nossas falhas, porque isso também não é curativo. As duas tinham registros de vidas passadas quando foram guerreiras e lutaram corajosamente enfrentando seus medos. Mas enfrentar a rejeição do momento exige muito e as duas se sentiam de alguma forma rejeitadas. A força da guerreira estava oferecendo para elas um escudo protetor para suas fragilidades.

Expliquei que era preciso ter coragem de se expor ao amor, sem esperar nada em troca, cientes de que se o outro não nos quiser continuaremos nossa caminhada de cabeça erguida porque a fonte de todo amor é Deus e dessa força interior temos total aceitação. Trabalhei com elas a libertação do passado, porque apesar do perdão e da auto-suficiência conquistada, sentiam-se traídas pelo destino que não lhes oferecia o amor e a felicidade esperada. Conversamos também sobre a importância de se observar as vitórias pessoais porque temos a tendência de colocar tudo no automático sem ver o que de bom concluímos e, dessa forma, não viver a alegria do momento. Deixamos de observar o quanto temos para agradecer e o quanto aprendemos e mudamos com a vida, já que as experiências nos fazem crescer. Percebemos juntas o quanto é importante vermos nossas vitórias.

Compartilho aqui com você a meditação que passei para as duas (no trabalho individual fiz algumas adaptações).

“Imagine que você está caminhando numa estrada carregando pesadas malas, cansada e desanimada, quando ouve o barulho de uma cachoeira. Você, então, vai até lá e toma um banho de limpeza e purificação. Quando termina coloca roupas limpas e segue o seu caminho mais leve e feliz. Procure ver seu rosto feliz e o semblante tranqüilo. E com esse sentimento você abre os olhos”.

Querido amigo, lembre-se de que pelo menos parte da sua felicidade depende de você!

Maria Silvia Orlovas - morlovas@terra.com.br
http://mariasilviaporlovas.blogspot.com/



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