quinta-feira, 31 de março de 2011

O Que Você Mais Odeia Nas Pessoas? - Trecho do Livro "A Coragem de Se Ver" - Luis Antonio Gasparetto

Tire uns minutos para pensar... Identifique o que realmente lhe incomoda. Eu não quero as coisas que simplesmente você não gosta mas a coisa que chega a lhe deixar furioso.

Já lembrou? Por que será que essa coisa nos outros mexe tanto com você? Percebe que existem tantas coisas que você não gosta de ver nos outros mas não chegam a lhe incomodar realmente Agora, tenha um pouco de coraqem e verifique se você também costuma fazer essa coisa, só que não gosta de saber que faz, pois é algo que o seu lado perfeccionista abomina e condena.

De imediato você pode dizer que não. Isso é normal, afinal de contas você até hoje tem tentado esconder isso de si, para não se reprovar e se punir, como sempre faz nesses casos.

O nome disso é inconscientizar. Ou seja, tornar inconsciente, jogar para o fundo escuro de nossa percepção. Em nosso dia-a-dia, é comum nós não vermos o que fazemos, pois nós podemos treinar nossa percepção a ver ou não ver o que quisermos.

Nossa consciência é como um farol: só o que é focalizado pode ser visto; o resto fica nos escuros da inconsciência até que nós voltemos a prestar atenção.

Se eu olho para um lado, os outros lados ficam inconscientes até que eu gire o meu olhar para tornar consciente os outros lados. Com isso podemos evitar olhar para o que não é de nosso interesse olhar. Fingimos que algo não existe e depois fingimos que não estamos fingindo.

Assim, tornamos o que é inconveniente totalmente inconsciente. Quando nossas ilusões não gostam da verdade, nós costumamos inconscientizá-la.

Você sabe como gostamos de nos iludir, de sonhar, de imaginar, a pretexto de sermos positivos ou otimistas, e por isso achamos a verdade cruel e fugimos dela. Não vemos nem em nós nem nos outros o que não queremos ver e sempre acabamos por pagar um preço muito alto por isso ...

Vivemos reprimindo os nossos impulsos indesejados, nossas vontades que o mundo ao nosso redor não aceita, nosso jeito de ser que pode incomodar os outros e despertar críticas.

Você nunca se pegou naquela situação em que você está andando na rua e, de repente, uma velhinha que está na sua frente escorrega em qualquer coisa e quase cai. A sua vontade imediata é de rir, mas você se censura e contém o riso de dois jeitos ao mesmo tempo. Primeiro no corpo, retesando os músculos do rosto, bloqueando o fluxo do impulso indesejado; depois, inconscientiza a imagem engraçada da velha escorregando. Quer dizer, para se segurar você fica tensa, porque não dá para pensar na cena, senão desata a rir. Precisa distrair a cabeça em qualquer outra coisa, e distrai pensando que coisa triste aconteceu com a velhinha.

Muitas vezes você está assistindo a um filme emocionante e sente vontade de chorar, mas reprime. Como? Aperta o peito, a barriga, aperta tudo e distrai a atenção disfarçando e fazendo contrário, ou seja, rindo feito bobo. Você não se permite chorar para não se expor, porque está preocupado com o que os outros vão pensar de você. Então você se reprime para continuar mantendo a imagem de pessoa maravilhosa. Ainda mais se você for homem, porque homem é forte e não chora por bobagens.

Se você vai viajar e devido à distância precisar ir de avião, isso pode ser um problema se você tem medo de andar de avião. Como você precisa empreender a viagem, você reprime o medo apertando o diafragma, o corpo todo, bem como a aura, e fica encolhido para não sentir. A aura é o seu campo energético, um campo de força que existe em você, que se exterioriza e que está relacionado com o corpo astral. E o que a aura tem a ver com a repressão? Na repressão, o que primeiramente encolhe não é o corpo físico, apesar de aparentemente dar essa impressão.

Vivemos reprimindo os nossos impulsos indesejados, nossas vontades que o mundo ao nosso redor não aceita, nosso jeito de ser que pode incomodar os outros e despertar críticas.

Entretanto, você continua com a mesma atitude que causa tais sensações, e assim continua criando o mesmo efeito, tentando escondê-Io e na base do "não vejo, logo não existe".

Acontece que para esconder o efeito você precisa manter certa tensão, porque, se você se solta, vem tudo para fora. E essa tensão vai se acumulando no corpo energético, no corpo astral e passa para o corpo físico. O efeito disso é que ela vai tirando os seus músculos do lugar, vai tornando um corpo bonito num ser desalinhado e cheio de deformidades, como flacidez, celulite, barriga, gordura, etc. Isso porque os músculos internos estão sempre tensos e, embora com a musculação externa você disfarce e solte, a interna está presa. E o impacto entre tensão interna e soltura externa provoca deformações. É por esse motivo que existem massagens e tratamentos para mexer com a musculatura mais profunda, que se entortou toda devido ao atrito da tensão e soltura.

A pessoa pode estar estressada mas quer manter a pose, porque não fica bem mostrar estresse, nem raiva, nem medo. Para tanto, procura manter a postura exterior aparentemente relaxada, mas a causa continua dentro, provocando problemas mesmo que ela não queira ver.

Sua força consciente, de fato, controla as funções musculares do corpo e a que esse material recai cada precisa sair por algum lugar.

No nosso sistema bioquímica, sabemos que as partes do corpo falam entre si através de um sofisticado e perfeito sistema de substâncias. Essa comunicação funciona de tal sorte que, se machucamos os pés, logo o cérebro é avisado e emite sinais para que o organismo processe os elementos de cicatrização, mas antes produz a dor para que a consciência passe a cuidar do ferimento.

O inconsciente emite sinais para o consciente agir, já que este tem o poder de certas funções, como comer, beber, articular os músculos, etc.

No caso de atitudes reprimidas, o inconsciente precisa de alguma forma mostrar ao consciente que ele está fazendo algo que prejudica o sistema, mas a consciência escapa e resiste, assim o inconsciente lança esse material em zonas que a consciência não pode dominar. E é isso que se chama projeção.

A consciência não pode exercer o arbítrio na zona onírica, nem na zona anímica ou mesmo em grande parte do corpo ou ainda na zona externa ou ambiente, e é nelas que as projeções aparecem.

Você controla com seu arbítrio o que não quer ver, mas o inconsciente lhe força a ver o que você tem que ver. Se você está se agredindo e não quer ver, poderá sonhar com agressões.

Esse fenômeno é diferente da transferência. E é importante fazer uma distinção entre ambos, porque as pessoas costumam confundi-los. Transferência significa transferir para os outros a sua versão, a sua verdade, os seus sentimentos, achando que eles são como você. Ou seja, você toma os outros por você. Tudo que é bom para o seu caso você acha que também o é para os outros.

Agora, a projeção é involuntária e automática. Negou a consciência de algo que você cria, então tudo isso reaparece de forma exagerada e que mexe muito com você. Você já pode saber: mexeu muito com você, é projeção. Ou seja, é a vida querendo lhe mostrar uma coisa em você que você não quer ver.E não dá para escapar. Quanto mais você quer fugir, maior fica a projeção, ou seja, maior a coisa projetada vai aparecer na sua frente.

Parece que a vida não perdoa. O que tem que ser conscientizado será feito cedo ou tarde.

Na verdade, existem dois tipos de projeção: os seus pontos fracos que você esconde por ter preconceitos contra tais aspectos e que ao se projetar em alguém geram em você um ódio incontrolável; e as virtudes que você acha que não possui, pois tem uma auto-imagem negativa e falsa e que quando se projeta nos outros, você experiência como paixão. Por exemplo: é projeção adorar ou idolatrar uma pessoa porque ela é inteligente, porque você não se considera inteligente embora na verdade tenha um grande potencial de ser mas por seus preconceitos você vive se impedindo de usar sua inteligência. Você a vê no outro e sente essa exaltação desmedida. Se você só admirasse a inteligência de alguém, sentiria uma espécie de respeito por ela e nunca se exaltaria.

Assim também o que mais irrita no outro é o que você não quer ver em você. É claro que existem certas coisas que simplesmente você não gosta delas. As que me refiro são aquelas que dão uma sensação interna de raiva e agitação. Essas realmente são projeções.

Você já notou que há determinadas coisas que ficam muito grandes em sua vida, por mais que você fuja e não preste atenção nelas? Pois é, essas são projeções que estão mostrando o que você faz mas não aceita e não quer ver. Para mudar isso existe a introjeção, que é o oposto da projeção. O fenômeno da introjeção é aceitar ver o que você está negando e localizá-lo em si. No entanto, existe sempre o orgulho, que não o deixa aceitar.

A resistência a ver a verdade ocorre porque você já se habituou a defender o ponto de vista do seu orgulho. Ele o censura, obrigando-o a ser do jeito que ele idealiza e que fica considerado como "o certo", em que os falsos valores dominam. Usa a condenação e a culpa para forçá-lo a ser ou parecer ser certinho. Essas culpas e punições que nosso orgulho nos impõe geram o medo de se ver como se é. Afinal, se ver de verdade passa a não ser conveniente. No entanto, a verdade permanece a mesma. Você só fica bravo, irritado, com as pessoas que fazem exatamente o que você faz com você.

Não tem jeito de escapar!Quando você se queixa muito de alguém, você está falando de você mesmo, está se confessando.Queixa é confissão!

Por exemplo: você entra no consultório do terapeuta e começa a falar do marido ou da esposa, e o terapeuta estimula a que você fale mais. Por quê? Porque essa fala é uma confissão. A sua atitude é diferente quando você aceita uma coisa que apesar de considerada feia você faz. Aí as dos outros não chamam tanto a sua atenção, e se o fazem não o incomodam.

Entretanto, com relação ao material recalcado, não adianta você dizer que ínconscientizou e por esse motivo não o vê. Por exemplo: dizer para você mesmo que inconscientizou a irritação e por isso é difícil vê-la, descobri-la, para lidar com ela, é só uma desculpa para você mesmo.Isso porque uma coisa é você dizer que jogou fora uma atitude que já não lhe serve mais e outra é fingir que jogou, censurá-la e deixá-la ativa no inconsciente.

Vejamos agora algumas atitudes dos outros que podem lhe causar irritação ou mesmo raiva se você não se aceita como é. Vou mencionar algumas e quero que você dedique um tempo para refletir a respeito.

Uma pessoa é sarcástica com você e você fica com ódio. Para começar a entender o processo todo, vamos deixar claro o que vem a ser sarcasmo: É quando você fala uma coisa importante para uma pessoa e ela, simplesmente, lhe ignora, goza ou ri dos seus sentimentos. E você? Como faz isso com você mesmo? Acredito que de muitas formas. Você é sarcástico com você quando se põe de lado, ri dos seus sentimentos, se acha um palhaço, se chama de criança, de burro, de bobo, quando muitas vezes você está até fazendo o seu melhor, está no melhor dos seus sentimentos e se desconsidera. Você acha que fazer isso com você não tem importância, mas quando o outro faz você considera afronta.

Outra atitude que pode lhe causar irritação é a mesquinharia. Eu ouço muitas pessoas dizerem que não gostam de gente mesquinha. Eu gosto de perguntar a elas como são mesquinhas consigo mesmas e com os outros. Isso porque quando se referem a si mesmas usam um outro adjetivo, ou seja, usam o de cuidadosas e não o de mesquinhas. Alegam que são cuidadosas porque os outros podem abusar delas, aproveitar-se delas. Na verdade, a mesquinharia é uma coisa muito ampla. A pessoa pode ser mesquinha em algumas coisas, mas isso não significa que ela é mesquinha em todos os aspectos da vida dela. Por exemplo: uma pessoa pode não ser mesquinha com dinheiro mas ser com livros. Ela tem um monte de livros que não lê, não usa, deixa tudo trancado, embolorando, mas não empresta para ninguém.

O que realmente importa não é com o que se é mesquinho, mas que a mesquinharia só incomoda na medida em que você tem uma forma qualquer de mesquinharia. E é por isso que a do outro chama a sua atenção e o irrita.

Mesquinha não é só a pessoa que guarda coisas ou a que é insegura porque não sabe doar, não tem maturidade para tal. Mesquinho mesmo é aquele que já tem uma certa capacidade de doar e não doa. E nós somos mesquinhos conosco quando negamos a nossa oportunidade de doar, de ter prazer em dar.

O ato de dar é algo gostoso, é um prazer, é o prazer do bem. Não é a obrigação de fazer coisas, mas o sentimento de dar, de distribuir, e quanto mais você dá, mais você amplia esse sentimento. A mesquinharia é quando a pessoa não assume a capacidade de dar, de ser genero no grau que ela já sabe e, ao negar isso, cria problemas para ela. E é claro que tudo isso é relativo, porque há pessoas que estão acostumadas a doar e outras que têm um campo menor de doação. Estas não podem ser encaradas como mesquinhas, porque, de acordo com a capacidade delas, não têm habilidade para tal.

E você? Em que sentido é mesquinho com a sua capacidade de doar? Como você vai contra essa sua capacidade?

Pode ser que seja com o trabalho, pois em sua ganância em querer ganhar muito acaba por ser mesquinho com seus clientes, ou mesmo com as suas idéias, pois a ganância de ser o dono da verdade o leva a ser mesquinho com as idéias dos outros. De que forma você é mesquinho com você?

Muitas vezes você não se deixa fazer o que quer na ambição de manter seu status e não se permite errar. Com isso, se impede de crescer e aprender. Sua mesquinhez é se tirar as chances de viver com largueza e profundidade, anulando um sem-número de oportunidades.

Introjete a projeção e comece o trabalho de percepção para mudar.

Há pessoas que ficam profundamente irritadas com delatores, com gente que é dedo-duro. Mas, apesar de não gostarem, fazem a mesma coisa consigo mesmas. Por exemplo: a pessoa está saindo de casa e rasga a meia. Como não tem tempo para trocar, vai ao encontro da amiga e já chega dizendo que a meia está rasgada. A amiga nem viu, nem reparou, mas a pessoa vai logo se delatando, que é para que a outra não delate antes.

Com relação à agressividade e ao autoritarismo, também há muita irritação. Você pode achar que uma pessoa é ruim porque é agressiva e autoritária com você. Mas, e você? Não faz o mesmo com você? Ou seja, você é ruim com você quando quer as coisas do seu jeito, e, quando não é do seu jeito, você fica contrariada porque, no fundo, você é arrogante.

Na arrogância a pessoa não pede, ela manda. E imagina que a vida, as pessoas, têm que ser do jeito que ela imaginou, porque, afinal, ela é que é a maravilhosa e que precisa ser atendida nas solicitações que faz. Esse tipo de atitude é de quem quer dominar a vida, quer comandar tudo, porque se julga assessora direta de Deus e sofre de contrariedade crônica. E essa contrariedade nada mais é do que ódio contra o fato de a vida fluir do seu modo natural dentro de suas próprias leis e não pelo que a pessoa imagina que são essas leis. Ela não quer se dar ao trabalho de estudar a vida e acha que o que pensa ou aprendeu a pensar é que é o certo só porque "Ela" pensa.

Quando você quer forçar e empurrar a vida, ela não coopera. Não ocorre o mesmo com você? Se alguém lhe empurra, você logo perde a vontade de cooperar. Um grande número de pessoas pensa que Deus é controlador, mas isso não é verdadeiro. E a vida, que é Deus, é assim: ninguém a domina nem lhe põe rédeas. Cada um de nós, a seu tempo, mais cedo ou mais tarde vai entender isso com bastante clareza.

Acredito que um dia todos nós vamos ter condições de participar com mais lucidez da vida. E isso ocorrerá quando o nosso conhecimento das leis que regem a vida for maior.

Por enquanto, o que precisamos é aprender a seguir o fluxo da vida, acompanhá-la. Aí, sim, ela se torna generosa para conosco. E ao fazer isso as coisas deixam de lhe contrariar, de emperrar, e você deixa de se torturar com isso.No momento em que você aceita o fluxo da vida como ele ocorre em você e procura estudá-lo, observá-lo, lidando com ele sem brigas, sem revolta, a vida fica do seu lado e vai fazer tudo para que você aumente seu conhecimento dela. Ocorre o contrário quando você quer dominar arrogantemente a vida. Esta lhe contraria não para lhe chatear mas porque as leis dela estão funcionando pela sua lei, que é a da contrariedade. Ou seja, você quer seguir na contra-direção das coisas.

Trecho do Livro "A Coragem de Se Ver" - Luis Antonio Gasparetto



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