terça-feira, 19 de abril de 2011

A Verdadeira Liberdade - Elisabeth Cavalcante

Todos ansiamos, desde muito cedo na vida, por mais liberdade. Quando ainda muito jovens, a liberdade é, para nós, essencialmente relacionada à realização de nossos desejos. Queremos fazer tudo, experimentar tudo, sem sermos tolhidos em nossos anseios de descoberta do mundo por quem quer que seja.

Conforme adentramos na idade adulta, aprendemos a nos adequar à maior parte das regras sociais e não podemos transgredi-las ou questioná-las com a mesma ênfase com que confrontávamos nossos pais, pois as conseqüências dessa atitude serão muito mais difíceis de ser enfrentadas.

À medida que amadurecemos, vamos entendendo que a liberdade é algo muito mais profundo e vivenciado num nível de interiorização que não havíamos imaginado. A liberdade não significa buscar a satisfação pura e simples de nossos desejos, mas a capacidade de nos mantermos fiéis a nós mesmos e a nossos sentimentos, independente do que o mundo tente nos impor.

Essa atitude interior não implica mais numa rebeldia que se manifesta de forma agressiva e contestatória, mas numa forma de viver que inclui a negação dos falsos valores do mundo material, onde somente o Ter é valorizado, e sua substituição por uma qualidade de Ser, essa sim capaz de nos fazer entender o verdadeiro sentido da palavra liberdade.

A verdadeira liberdade consiste em nos libertarmos do aprisionamento do ego e irmos além, alcançando um estado de consciência que nos torna imunes aos sofrimentos determinados por nossa consciência egóica. Orgulho, ciúme, vaidade, medo, desejo de posse, insegurança, ambição desmedida, são todos sentimentos relacionados ao ego e que nos impedem de viver uma vida plena.

A meditação tem um importante papel nesse processo. Através dela, podemos focalizar conscientemente as causas de nossas frustrações e permitir que essas forças negativas se transformem em nossos auxiliares no avanço rumo à nossa verdadeira liberdade.

Em uma das inúmeras palestras que realizou nos Estados Unidos, o Lama Tibetano Chogyam Trungpa Rimpoche descreve desse modo o papel da meditação como instrumento para reconhecermos nossas emoções negativas:

...Meditação não significa tentar alcançar êxtase, felicidade espiritual ou tranqüilidade, nem tentar tornar-se uma pessoa melhor. É simplesmente a criação de um espaço no qual tenhamos condições de expor e desfazer nossos jogos neuróticos, nossas auto-ilusões, nossos temores e esperanças ocultos.
...Portanto, a meditação é um meio de aflorar as neuroses da mente usando-as como parte de nossa prática. Da mesma forma que o adubo, não jogamos nossas neuroses fora, mas as espalhamos em nosso jardim, elas se tornam parte de nossa riqueza.
...O ato de nos tornarmos cada vez mais conscientes das circunstâncias da vida, das emoções e do espaço no qual elas ocorrem, pode nos abrir para uma consciência panorâmica ainda mais ampla. É uma atitude de aceitação fundamental de si mesmo, ao mesmo tempo retendo a inteligência crítica.... Lidar com as emoções deixa de ser um problema. As emoções são como são, nem reprimidas, nem favorecidas, mas simplesmente reconhecidas.
...Portanto, antes de nos relacionarmos com o céu, é preciso nos relacionar com a terra e lidar com nossas neuroses básicas.

Transmutar nosso estado de Ser requer atenção permanente, vontade e disciplina para empreender a jornada. Enquanto permanecermos focalizados no ego, continuaremos vivendo de forma limitada, sem experimentar o verdadeiro sentido da palavra liberdade.

Elisabeth Cavalcante é Taróloga, Astróloga, Consultora de I Ching e Terapeuta Floral.
Email: elisabeth.cavalcante@gmail.com



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