quarta-feira, 11 de maio de 2011

Apatia - A Morte Ainda Em Vida - André Lima

Sentimentos negativos intensos são facilmente detectáveis por qualquer pessoa. Todos sabem o quanto eles podem nos afetar, causando até doenças físicas. Quando observamos pessoas raivosas que vivem esbravejando ou o depressivo que vive a chorar, logo conseguimos ter a noção do quanto aqueles sentimentos estão sendo prejudiciais.
Mas tem um tipo de comportamento que passa despercebido.

O comportamento apático, sem vida, sem emoção. Aquela pessoa que parece calma demais, que nunca parece tão triste, mas também nunca parece alegre. Nunca ninguém a vê sentindo raiva, culpa ou expressando um sentimento de frustração. Aos olhos de alguns, pode parecer uma pessoa extremamente calma e em paz. Mas, se analisarmos mais profundamente, podemos estar diante de uma pessoa apática, sem gosto pela vida, com inúmeras emoções reprimidas.

Uma pessoa que desistiu de sentir, pois se ela realmente sentir o que deveria, a vida poderia ficar insuportável. Assim como a cólera e a depressão, a apatia também faz adoecer, pode levar alguém a morte.

Atendi recentemente um cliente com um quadro como esse. Ela não tinha noção da profundidade do que estava carregando. Se queixava apenas de autoestima baixa, e que não tinha muita coragem de ir em busca de algumas coisas que gostaria. Falta de fé, esperança, pensamentos negativos, pessimismo. Exibia um semblante calmo, triste, sem vida e sem emoção alguma na fala. Ao falar de alguns poucos desejos que tinha não parecia ter qualquer entusiasmo. Ao falar das tragédias, também parecia não se abalar.

No trabalho terapêutico que faço com a EFT, começo a fazer perguntas para descobrir o que está por trás de uma autoestima baixa, da falta de coragem, ou de qualquer outra dificuldade emocional que o cliente traga. Procuro buscar fatos, lembranças, pensamentos e sentimentos negativos. Procuro achar pontos que fazem o cliente sentir incômodo emocional ao falar. E via de regra é super fácil achar esses pontos.
Mesmo quando alguém chega no consultório dizendo que está tudo bem, que não sente nada, que não tem nada de mais na sua vida, que não sente raiva nem mágoa, que já perdoou e aquele discurso todo... Já ouvi isso inúmeras vezes. Bem, se chegou até mim é porque há alguma dificuldade emocional. E se há dificuldades tem razões pra isso. E a minha função consigo fazer o cliente entrar em contato e tomar consciência das emoções negativas que ele as vezes jamais imaginava ter.

É fácil, basta conversar sobre o passado, sobre eventos da sua vida, recentes ou remotos. Inevitavelmente o conteúdo emocional surge.

Nesse momento que o sofrimento aparece, eu como terapeuta fico muito satisfeito! Vou explicar. É que é nessa hora que eu mais consigo ajudar o cliente. Aplico a EFT para os sentimentos incômodos e começo a limpar o lixo emocional. Ele sai do consultório mais leve, ou pelo menos com menos carga do que entrou.

Investigando a vida do cliente para encontrar os pontos emocionais algumas tragédias foram reveladas. Era extremamente pobre na infância. Dois irmãos morreram antes dele nascer. Um aos treze anos e outro ele não sabia detalhes. Esta foi a primeira tragédia. Imagine a carga emocional de uma mãe que passa por isso, quanto sofrimento inconsciente se passa para os filhos que vem depois. Ele foi o terceiro filho, o primeiro a sobreviver. É uma grande responsabilidade. Além disso, de forma também inconsciente, carregamos sofrimentos de membros da família que nem mesmo conhecemos. Até mesmo uma culpa (inconsciente também) de estar vivo enquanto o outro teve um destino trágico. A possibilidade disso acontecer entre irmãos é muito grande.

Quando tinha seis anos, o pai foi para o sudeste trabalhar. Abandonou a família. Nunca mais teve noticias do pai. Esta foi a segunda tragédia: o abandono completo. Só teve noticias do pai quando ele morreu aos 72 anos.

Mais uma grande tragédia. Ao treze anos de idade, sua mãe foi esfaqueada por um patrão que a assediava. Morreu poucos dias depois. Imagine então alguém com esse histórico de vida. As conseqüências terríveis que tudo isso pode provocar: autoestima baixa, depressão, desesperança, enfim...

Ao encontrar fatos como esses, conforme falei antes, fico satisfeito porque é a partir daí que começo a fazer o trabalho com a EFT, limpando os sentimentos guardados, o que provoca uma melhora muita rápida no cliente. No caso dele, porém, nada do que foi relatado, mesmo as piores tragédias, nada trazia qualquer emoção. E olhe que eu converso, indago, estimulo, faço relembrar as cenas, os momentos mais intensos. Ainda assim, nenhum sentimento aparecia.

Mesmo assim eu aplico EFT. E o que acontece é que durante as rodadas os sentimentos começam a surgir, ou se não surge, a pessoa sente um alivio no final, sem nem saber o porque. A técnica vai limpando e descortinando sentimentos reprimidos. Vejo isso acontecer todos os dias.

Foi o que fiz. Fui aplicando EFT e observando se vinha algum sentimento a tona. Após cada rodada eu parava e investigava bastante. No caso dele nada surgia; nem sentimento, nem alívio. Apenas respostas vazias e sem conteúdo emocional “não senti nada”. Alguma reação física? Algum pensamento surgiu, alguma cena, um flash?

A resposta era sempre a mesma: Nada.

Comecei então perguntar “Você tem amigos? Sai pra se divertir? Tem algo que lhe traz alegria? Tem algo que faz você sentir culpa, raiva, mágoa, tristeza...?” Para cada pergunta, momentos de silêncio e a reposta via de regra era “não”, “não tenho”, “não gosto de nada”. Perguntei se ele chorava em algum momento. Falou também que não. Fui concluindo então que era um sentimento de apatia extrema. Perguntei se pra ele fazia diferença estar vivo ou estar morto. Ele falou que não tinha vontade de tirar a própria vida, mas que pra ele não tinha diferença. É como se já tivesse feito tudo e estivesse somente esperando a hora de ir. O cliente tinha 62 anos. Meu pai tem a mesma idade e vive, trabalha, se diverte, viaja, mais do que eu.

De repente ele me falou que gostava de viajar. Eu pensei, “finalmente encontrei algo que traz alegria”. Ele falou que gostava de viajar para participar de cursos (de auto conhecimento, terapias holísticas e afins). Perguntei se ele então aproveitava a viagem para dar um volta, conhecer o lugar, ir num restaurante, passear... Ele disse que não. Ia para os cursos, quando terminava ia pro hotel, e depois pra casa.

Perguntei se ele já tinha se dado conta desse estado extremo de apatia e do quanto isso seria no mínimo estranho. As pessoas tem desejos, alegrias, tristezas, vontades. Ele falou que nunca havia visto por esse ângulo. Que até então parecia ser algo mais ou menos normal. Até tinha um pouco de consciência que precisava melhorar em alguns aspectos, como na questão do pessimismo por exemplo. Mas que não via antes a profundidade da coisa.

Me contou um fato logo depois. Disse que foi ao médico fazer um exame, e constatou que havia uma parte do coração que parecia não querer mais bater. O médico falou pra ele que era muito estranho, que nunca tinha visto daquela maneira. O próprio cliente me falou que acabava então de relacionar essa falta de vontade do coração de bater com essa apatia e falta de gosto pela vida.

Quando eu ele contava as tragédias vividas, eu perguntava se ele lembrava de como ficou na época, se chorou, se ficou desesperado ou triste. Ele não lembrava muito, e achava que não parecia que tinha sido um sofrimento tão grande assim. Achava que foi passando pelas dificuldades e que estas pareciam não ter tido aquele impacto todo.

Foi ai que falei pra ele. “Se coloque no lugar dos seus filhos.

Imagine um filho seu. Aos seis anos o pai abandona e nunca mais volta. Com 13 anos a mãe é assassinada. Como eles ficariam? Isso é um trauma terrível! Você é um ser humano também como seus filhos. Você é pai, mas também é filho, também sofre como eles”. Falei isso no intuito de fazê-lo perceber a dimensão do que está guardado e disfarçado pelo sentimento de neutralidade e apatia.

É possível também aplicar a EFT em alguém assim, mesmo com toda essa dificuldade. Mas me veio na cabeça duas alternativas que eu acreditei que pudessem ser mais eficazes no caso dele. O Reiki e os florais.

Pensei em um floral de Bach chamado Gorse. Abri a internet e li a
descrição para o cliente:

“Os indivíduos que necessitam de Gorse acostumaram a ver a vida de forma negativa, fatalista e derrotista. Desta forma a vida torna-se pesada e a pessoa fica desesperada e desalentada. Gorse ajuda-os a senti-la de forma mais leve, sustentada por otimismo, fé e esperança.

Para a pessoa lutar ela tem que achar que vale a pena. Uma pessoa que padece de doença crônica e que já tentou inúmeros tratamentos pode chegar a conclusão que o melhor é se resignar e "não se iludir mais". A perda da fé é o aceitar da derrota. Seu final é certo e infeliz.

Nestas horas, fazer o mínimo torna-se desnecessário e difícil.

Normalmente são pessoas que já fizeram muitas tentativas e que não foram bem sucedidas. Elas acabaram desistindo. Seu único pensamento é que é inútil continuar a luta. Com a perda da fé o indivíduo torna-se apático, desvitalizado e com um olhar sem brilho e "perdido".

Esta essência deve ser utilizada sempre que existam situações que estão minando a fé e a esperança da pessoa. Situações como crises, doenças, momentos de transformação na vida, etc. Quando o quadro é crônico é comum que a pessoa já esteja acostumada à situação e não perceba o quanto está sem fé e esperança. Neste caso o sofrimento se mantém, mas o desconforto com o inusitado da situação diminui.”

André Lima
E-mail: andre@eftbr.com.br
www.eftbr.com.br



Um comentário:

  1. essa maldita doença chamada DEPRESSÃO me persegue a mais de 10 anos ... agente nao vive .. vegeta ...

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