quarta-feira, 25 de maio de 2011

Ciência e Espiritualidade - Leonardo Boff

É de Einstein a frase: "a ciência sem religião é manca, a religião sem a ciência é cega". Com isso queria dizer que a ciência levada até a sua exaustão termina no mistério que produz assombro e encantamento, experiência típica das religiões. A religião que não se abre a este mistério das ciências deixa de se enriquecer, tende a se fechar em seus dogmas e por isso fica cega.

A ciência se propõe explicar o como existem as coisas. A religião se deixa extasiar pelo fato de que as coisas existem. O que é a matemática para o cientista é a oração para o religioso. O físico busca a matéria até a sua última divisão p ossível, os topquarks, chega aos campos energéticos e ao vácuo quântico. O religioso capta uma energia inefável, difusa em todas as coisas até em sua suprema pureza em Deus.

Ciência e religião se perguntam: O que se passou antes do Big Bang e do tempo? Muitos cientistas e religiosos convergem nesta compreensão: Havia o Mistério, a Realidade intemporal, no absoluto equilíbrio de seu movimento, a Totalidade de simetria perfeita e a Energia sem entropia.

Num "momento" de sua plenitude, Deus decide criar um espelho no qual pudesse ver a si mesmo. Cria aquele pontozinho, bilionesimamente menor que um átomo. Um fluxo incomensurável de energia é transferido para dentro dele. Aí estão todas as possibilidades. Potencialmente todos nós estávamos lá juntos. De repente, tudo se inflacionou e depois explodiu.

Surgiu o universo em expansão. O Big Bang, mais que um ponto de partida, é um ponto de instabilidade que no afã de criar es tabilidade, gera unidades e ordens cada vez mais complexas como a vida e a nossa consciência.

O Princípio de auto-organização do universo está agindo em cada parte e no todo. Neste universo tudo tem a ver com tudo, formando uma incomensurável rede de relações. Deus é a palavra que as religiões encontraram para esse Princípio, tirando-no do anonimato e inserindo-no na consciência.

Para defini-lo não há palavras. Por isso, é melhor calar do que falar. Mas se tudo é relação, então não é contraditório pensar que Deus seja também uma relação infinita e uma suprema comunhão.

Ora, esta idéia é testemunhada pelas tradições religiosas. A experiência judaico-cristã narra continuamente as relações de Deus com a humnidade, um Deus pessoal que se mostra em três Viventes: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

O ser humano sente esta Realidade em seu coração na forma de entusiasmo (filologicamente significa te r um deus dentro). Na experiência cristã, diz-se que Ele se acercou de nós, fez-se mendigo para estar perto de cada um. É o sentido espiritual da encarnação de Deus em nossa miséria.

A ânsia humana fundamental não reside apenas em saber de Deus por ouvir dizer, mas em querer experimentar Deus. Atualmente, seria a ecologia profunda, a que cria o melhor espaço para semelhante experiência de Deus. Mergulha-se então naquele Mistério que tudo penetra e tudo sustenta.

Mas para aceder a Deus, não há apenas um caminho e uma só porta. Essa é a ilusão ocidental, particularmente das igrejas cristãs, com sua pretensão de monopólio da revelação divina e dos meios de salvação. Para quem um dia experimentou o Mistério que chamamos Deus, tudo é caminho e cada ser se faz sacramento e porta para o encontro com Ele.

A vida, apesar de suas muitas travessias e das difíceis combinações da dimensão dia-bólica com a simbólica, pode então se transformar numa festa e numa celebração. Ela será leve, porque carregada da mais alta significação.

Leonardo Boff - Teólogo



2 comentários:

  1. A CIÊNCIA DESCOBRIU DEUS
    Quando?
    Quando a ciência reconheceu a hipótese de Eduard Tryon de 1973 que a matéreia teria surgido da flutuação do vácuo.
    Ora , se o váquo quântico é a fonte geradora do universo físico, é também da vida, e da consciência humana num processo de complexidade evolutiva.
    Portanto podemos considerar este fenômeno auto organisativo de programa, consciência cósmica ou Deus.
    Faça seu comentário na sua linguagem
    http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=confirmado--a-materia-e-resultado-de-flutuacoes-do-vacuo-quantico&id=010130081125


    Read more: http://spa-damente.blogspot.com/#ixzz1NwXKKpOH

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  2. Universo em ação
    Então vamos racionalizar esse universo com base nos conhecimentos atuais da ciência.
    Quando as forças de contração e expansão estavam em equilíbrio, o universo estava auto-contido no menor espaço na eternidade, pois não havia movimento de energias.
    Por uma flutuação do ponto zero desse sistema fechado, a energia escura de espansão superou a energia de contração da gravidade. E teve início "o tempo" num movimento ondulatório do campo quântico para criar a matéria.
    E o universo observável composto de 4% de matéria bariônica, mais 22% de matéria escura estão submersos num oceano de 74% de energia escura.

    Como os buracos negros funcionam como turbinas de contração da matéria, espaço e tempo ainda não superaram a força da energia escura criadora de espaço, o universo permanece em expansão.
    Portanto o universo móvel é finito, contido num campo quântico imóvel e eterno.


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