segunda-feira, 16 de maio de 2011

Medo de Perder - Amadeu Wolff

Um dos maiores obstáculos para uma vida plena, harmônica mais expressiva e significativa é o medo de perder alguém, o medo de perder alguém que nós julgamos amar, o medo de perder a esposa ou o esposo, os filhos os amigos o patrão, o cliente, o empregado, essa emoção é o principal responsável pelo nosso sofrimento vital, o medo de perder é o medo de tornarmo-nos dispensáveis para a pessoa com a qual nos relacionamos, o medo de perder se reveste e mil e uma formas, aparecem sob mil disfarces.
Medo de sermos criticados por alguém, medo de que falem mal de nós, medo de sermos abandonados, medo de sermos rejeitados, medo de não sermos importantes, medo de não sermos ilustres, medo de sermos desprezados, medo de não sermos amados, medo da solidão.
E tudo isso pode ser designado mais claramente por uma palavra:
Ciúme
O ciúme é o medo de não ter alguém, de não possuir alguém, de não vir a ser dono de alguém.
Na relação ciumenta colocamos a nós e o outro como objetos, e nesta relação pessoas e objetos são a mesma coisa.
Por ciúme temos medo de ser algum dia considerado inútil, dispensável a outra pessoa, essa e´ a emoção do sofrimento, a emoção do apelo a emoção da relação confusa misturada, dependente, e o que a agrava é que em nossa cultura aprendemos que o ciúme é considerado como sendo amor, e o ciúme é justamente o contrario, o ciúme é o oposto do amor, na relação amorosa existe identidade, “Eu Sou Independentemente de Você”
Na relação ciumenta, na relação objetal, perde-se a identidade Eu sem você não valho nada, você é tudo para mim.
O amor é solto, é livre, vem de querência intima e esta diretamente ligado ao sentido de liberdade,de opção, de escolha, o ciúme prende, amarra, condiciona, determina, com essa emoção, eu já não sou eu, sou o que o outro, quer que eu seja para o outro ser também o que eu quero que ele seja, no ciúme ha um pacto de destruição mutua no que cada qual usam um ao outro como garantia de que não estarão sozinhos, eu me abandono para que o outro não me abandone, eu me desprezo para que outro não me despreze, eu me desrespeito para que o outro não me desrespeite eu me destruo para que o outro não me destrua .
O ciúme é o medo de ser dispensável a alguém, e o mais grave talvez esteja aqui, nos passamos a vida inteira com medo de nos tornarmos para o outro o que nós já somos:
Totalmente dispensável, o homem é por definição dispensável, transitório, efêmero, aquele que passa, e isto é bastante real.
Em todas as relações que temos, somos totalmente substituíveis o mundo sempre existiu sem nós, e esta existindo conosco e continuara a existir sem nós. Nos somos necessários; aqui e agora, mas seremos dispensáveis alem e depois, medo de ser dispensável a alguém é o mesmo medo da morte, que também é real, o medo da morte é o ciúme da vida, é a vontade irreal, falsa de sermos eternos, permanentes e imutáveis.
O medo de perder nos leva a entender que as coisas só valem a pena se forem eternas, permanentes, duráveis.
Só tem valor neste caso se tivermos a garantia de que sempre será, assim, como é. E como tudo é transitório , como tudo é mutável como tudo é passível de transformação, o medo de perder nos leva a um estado continuo de sofrimento.
As conseqüências do ciúme são muito claras, se eu tenho medo de que me abandonem de me tornar dispensável a alguém, de que não me amem, ao invés de fazer tudo para ser cada vês mais, para ser cada vez melhor, eu vou gastar toda a minha vida, todas as minhas energias, para provar aos outros, que eu já sou mais, que eu já sou o melhor, que eu já sou o primeiro, ao invés de em penhar esforços para ser um marido por exemplo, cada vez melhor, um filho cada vez melhor, um pai ou mãe cada vez melhor, um chefe cada vez melhor, um empregado cada vez melhor, eu gasto as minhas energias para provar a minha mulher, aos meus amigos, aos meus filhos ao meu marido, ao meu chefe, ao empregado, que eu já sou o melhor pai do mundo, o que é mentira, o melhor marido do mundo, o que é mentira, o melhor amigo do mundo, o que é mentira, o melhor chefe de mundo. O que é mentira! o melhor empregado do mundo, o que é mentira! e assim por diante,
O ciúmes nos conduz a um temível sentimento de onipotência. Aos nossos atos, as nossas conversas, ao nosso comportamento as nossas considerações, tudo é para mostrar aos outros que nos já somos bons, fortes, capazes e perfeitos.
Aqui esta a diferença básica entre o medo de perder e a vontade de ganhar.
O medo de perder é assim:
Gastamos todas as energias para defendermos o que nos já possuímos, para conservarmos o que já ganhamos, mas já chegamos ao ponto maximo só temos que perder.
A vontade de ganhar por outro lado, é assim:
Estaremos sempre ativos, descobrindo oportunidades do ganho, procuraremos ganhar, cada vez mais ao invés de nos preocuparmos com possíveis perdas, o que nos temos de mais sagrado é a nossa própria vida, esta nós já vamos perder, todas as outras perdas são secundárias.
Medo de perder, é reativo, defensivo, justificativo, as pessoas ciumentas estão sempre com um pe atrás, outro na frente, sempre se prevenindo para não perder, sempre se preparando, sempre conformando.
As pessoas com vontade de ganhar, estão sempre ativas, sempre pré ativas, sempre optando, arriscando.
O medo de perder, é a vivencia do futuro, é a preocupação, vontade de ganhar, por outro lado é a vivencia do presente, é a vivencia da beleza do presente.
Em tudo a cada momento existem riscos e existem oportunidades, no medo da perda, a pessoa só vê os riscos, a vontade de ganhar, a pessoa vê os riscos, mas sobretudo, vê também as oportunidades.
Cada momento da vida é um desafio para o crescimento, a vontade de ganhar na qual nos referimos, não significa ganhar de alguém, mas ganhar de si mesmo, ser cada vez mais, estar sempre disposto a dar um passo a frente, estar sempre disposto a crescer um pouco mais, é importante termos sempre para nós que hoje podemos crescer um pouco mais do que éramos ontem, descobrir que ninguém chegou ao seu limite maximo, que na idade adulta não chegamos no limite de nossa potencialidade, não existe pessoa madura, existe sim, a pessoa em amadurecimento, todo o nosso sofrimento vem da paralisação do nosso crescimento pessoal e cada um de nos sabe muito bem onde paralisou, onde a nossa energia estava bloqueada, onde não esta havendo a expansão da nossa própria energia, ainda não vimos até hoje um relacionamento se deteriorar sem uma presença marcante do ciúme, no desejo de sermos donos da outra pessoa de uma ânsia de mais poder e controle sobre os pensamentos, os sentimentos, e as ações da pessoa que dizemos amar.
O ciúme é a doença do amor, é um profundo desamor a si mesmo, e conseqüentemente um desamor ao outro, pelo ciúmes se estabelece uma relação dominaror versus dominado, o ciúme é a dor da incerteza com relação aos sentimentos de alguém do futuro, é a raiva de não possuir a segurança absoluta do relacionamento no futuro, é a tristeza de não saber o que vai acontecer amanha alias o que dói no ciúme é a insegurança no futuro, é a insegurança do desconhecido, a loucura esta ai, passamos a vida inteira tentando conseguir o que jamais conseguiremos segurança!
A segurança não existe, não existe nada, ser seguro não significa acabar com a insegurança, mas aceita-la como inerente a natureza humana, ninguém pode acabar com a natureza do amor, por isso só é possível estarmos em estado de amor se sabemos estar em estado de risco, desperdiçamos um único momento que temos, que é o agora,em função de um momento inexistente, o futuro.
Parece que as pessoas so valem para nos no futuro, nos não curtimos hoje um relacionamento com a mulher, com os filhos, com o marido, com os amigos, sofrendo pela possibilidade de um dia não sermos queridos por eles.
Um filho por exemplo parece que só nos é importante amanha quando crescer, quando se formar, quando casar, quando trabalhar, eltc.
Ate hoje ainda não conhecemos o sol, preocupados como o futuro dos filhos, que estivessem brincando com eles,em geral não temos tempo, porque estamos muito preocupados em assegurar-lhes um futuro brilhante.
O ciúme é a incapacidade de vivermos hoje, a gratuidade da vida.
Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas, querendo ou não, hoje estamos começando, e viver é considerar cada segundo de novo, a cada dia você é o próprio cuidado, medo daquilo que lhe pode acontecer tira-lhe a aleghria de viver o aqui e agora, o medo da morte tira-lhe a vontade de viver, o medo de perder alguem, tira-lhe a beleza de estar com ele agora! Alias quando temos medo de perder alguém é porque imaginamos que as pessoas são nossas, ninguém pode perder o que não tem, nós sabemos, ninguém é de ninguém, cada pessoa é única e exclusivamente dela mesma, esta é outra falsidade, podemos perder um livro, um emprego, uma bolsa, porem jamis uma pessoa, o sinônimo do medo de perder é a obssessão do primeiro lugar, o que é a obssessão do primeiro lugar?é colocarmos nos ombros a tarefa impossível de sermos sempre os primeiros em todos os lugarese em todas as circunstancias. Se é em casa, queremos ser o primeiro, no trabalho queremos ser o primeiro, na reunião queremos ser o primeiro no futebol queremos ser o primeiro num assunto especifico queremos ser o primeiro, e em outro assunto qualquer, sempre o primeiro.
O primeiro lugar é amarelante, deteriorante, ao passo que o segundo lugar é esperançoso, enverdejante, pois quando alguém chegou ao cume da montanha so lhe resta um caminho... começar a descer.
O segundo lugar é daquele que tem para onde ir, para onde crescer, a postura do segundo lugar nos leva ao crescimento ao crescimento continuo, pôrque você não se decreta o segundo lugar?mesmo quando esteja ocupando socialmente, o primeiro lugar? O segundo lugar não em relação ao aoutro, mas em relação a você mesmo, veja, ainda teremos por onde crescer e melhorar, você sabe porque o mar é tão grande? Tão imenso? tão poderoso?
É porque teve a humildade de se colocar aguns centímetros abaixo de todos os níveis do mundo.
Sabendo receber tornou-se grande, se quisesse ser o primeiro, alguns centimetrosacima de todos os rios, não seria o mar, mas uma ilha, toda a sua água que iria para os outros lhe estari isolando, alem disso a perda faz parte, a queda faz parte, a morte faz parte, é impossível vivermos satisfatoriamente se não aceitarmos a perda, a queda, o erro e a morte, precisamos a prender, a cair, a errar, e a morrer.
Não é possível ganhar sem saber perder, não é possível saber andar sem saber cair, não é possível acertar sem saber errar, não é possível viver sem saber morrer.
Em outras palavras, se temos medo de cair, andar será muito doloroso se temos medo da morte, a vida é muito ruim, se temos medo da perda, o ganho nos enche de preocupações, esta é a figura do fracassado dentro do sucesso, pessoas que quanto mais ganham, quanto mais melhoram na vida mais sofrem.
Para a pessoa que tem medo de ficar pobre quanto mais dinheiro tem, mais preocupada fica,
Para a pessoa que tem medo do fracasso, quanto mais sobe na escala social, mais desgraçada é a sua vida em compensação se você aprende a perder, a cair, a errar, ninguém o controla mais, pois o maximo que pode acontecer a você é cair, é errar, é perder, e isto você já sabe.

Texto pesquisado nos ensinamentos da A Ordem Rosacruz, AMORC é uma organização internacional de caráter místico-filosófico.

Amadeu Wolff
http://www.amadeuw.com.br



Um comentário:

  1. Eu até entendo o quanto o ciúme é destrutivo, mas não sei lidar nem entender com o sentimento de ciúme quando tem real motivo dado pelo outro. Ex.: um parceiro que deixa evidente que está se relacionando com outra pessoa ou, ao menos, demonstra essa predisposição. Se ele não é "meu" deveria aceitar que fique com outras, mesmo isso me fazendo muito mal? Acho que há a necessidade de separar o ciúme dos casos citados no texto do sentimento de desrespeito que sentimos quando estamos com alguém que deseja estar com todos. Queria muito sua opinião sobre isso.
    Obrigada.

    ResponderExcluir

Related Posts with Thumbnails