segunda-feira, 30 de maio de 2011

Preciso de Ajuda - Maria Silvia Orlovas

A maioria de nós tem sempre disposição para oferecer ajuda, mas nem sempre se abre para receber. Para muitos, precisar dos outros é uma quebra de ego, quando se rompe o orgulho e se constata que não basta ser auto-suficiente.
Mas será que isso tem apenas o lado negativo, ou podemos tirar lições positivas?

Minha tarefa como terapeuta me coloca como ouvinte, não para chorar com o outro, como faria um amigo. Ouço para ajudar a perceber uma saída para as situações de dor e conflito. E como muitas vezes as pessoas não encontram explicações nessa vida, imaginam que as justificativas podem estar em outras vidas. E de fato isso acontece com freqüência. Se acreditamos em reencarnação e evolução espiritual, faz sentido pensar que algumas explicações possam estar no passado, mas com certeza o momento de mudança e de alteração de comportamento é aqui agora.
Apesar de nesses momentos de dor nos sentirmos vítimas do destino, e sem nenhuma ação, isso não é real. Por conta do sofrimento, é comum não vermos um caminho, mas isso não quer dizer que não exista.

Oswaldo viu numa sessão de Vidas Passadas seu esforço em cumprir as tarefas na fazenda do pai, enquanto o irmão levava a vida sem compromissos. Incompreendido pela família, sentia-se injustiçado e triste. Terminada a parte mediúnica, ele me contou que nesta vida a família também o abandonou, e as situações estavam se repetindo, disse ser trabalhador, exigente consigo mesmo, e que enfrentava um desgaste emocional.
"Preciso de ajuda," disse com os olhos cheios de lágrimas.

Vendo aquele homem de mais de 50 anos romper suas barreiras para tentar entender porque as pessoas não o respeitavam me tocou. Pois sei o quanto é difícil receber ingratidão.

Oswaldo seguindo corajosamente na auto-análise, constatou que não colocou limites nos relacionamentos, fazia de tudo para agradar, assumia responsabilidade pelos outros, mas é claro, que tinha suas expectativas. Como era uma pessoa fechada, não fazia críticas abertas, não falava o que pensava, sofria sozinho. Porém, queria ser compreendido e amado. Quando sua esposa rompeu o casamento, os filhos não sabiam o que pensar e nem ele entendia muito bem o porquê.

Claro que conviver com uma pessoa que age assim não é fácil, porque as pessoas precisam de respostas, precisam saber se estão agindo certo ou não. Relacionamentos silenciosos não funcionam. No caso de Oswaldo, faltou o diálogo, faltou a construção de limites, no entanto, o problema não estava apenas no casamento.
Ele confessou que nunca pedira ajuda porque considerava uma humilhação, uma fraqueza, mas agora cansado de enfrentar desapontamentos compreendia que tinha sido muito orgulhoso. "Parece que estou repetindo esse tipo de atitude há muitas vidas. Ainda há solução para o meu caso?

Claro que sim. Para tudo há solução. Todos nós podemos aprender, podemos mudar. Aprender a receber ajuda exige uma boa dose de humildade e também de coragem. Muitas vezes as pessoas desenvolvem esse tipo de comportamento quando têm medo de amar, confiar, se entregar e se decepcionar. A auto-defesa se torna um escudo.
Todos nós devemos ser fortes, mas também é bom receber, e dar espaço para o outro oferecer amor e se sentir importante em nossas vidas. Estamos juntos para aprender e compartilhar.

Maria Silvia Orlovas - morlovas@terra.com.br
http://mariasilviaporlovas.blogspot.com



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