quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Diferença de idade ajuda ou atrapalha num relacionamento? - Rosana Braga

Quero começar citando Manoel Carlos:
O amor não tem idade. Estamos sempre maduros para amar. E não acredito que o amor possa chegar cedo ou tarde. O amor é pontual. Chega sempre na hora certa, seja a hora que for.

Creio que aí já esteja contida a minha resposta. Ou melhor, se a pergunta é ajuda ou atrapalha?, eu diria que ajuda se você ajudar e atrapalha se você atrapalhar. Tudo depende das escolhas que fazemos, do quanto nos comprometemos e do quanto estamos dispostos a assumir nosso amor.

Sei que relacionamentos que fogem do convencional por alguma razão, tendem a causar polêmica, comentários e até represálias por parte da família. Sei também que os amigos e parentes não têm, em princípio, a intenção de nos ver infelizes ou desiludidos. Antes, querem nos proteger de possíveis desafetos, de situações dolorosas, enfim, de qualquer dissabor.
No entanto, ainda assim, se não nos responsabilizarmos por nossa felicidade, por nossa vida íntima, os conselhos podem mais nos atrofiar em meias-verdades do que nos impulsionar a grandes e certeiras conquistas.

No caso de um amor onde a diferença de idade seja notável, sugiro que levemos em conta bem mais as particularidades invisíveis do que os dados efêmeros como os anos. Almas, corações e sentimentos não seguem o mesmo ritmo que o corpo, a pele e os dias de vivência.

Todos nós, certamente, já conhecemos idosos com almas de meninos e jovens com almas velhas e praticamente imprestáveis. Além disso, amar, compartilhar vida e trocar afeto não tem necessariamente a ver com idades equiparadas.
Sei que muitas pessoas alegariam seu veredicto ‘contra’ baseando-se na questão sexual, no quanto o desempenho físico de um pode diminuir antes do outro. Entretanto, também sobre a sexualidade (energia, relação e satisfação sexual) penso que a idade pode realmente não ser o fator preponderante.

Vejo muitos casais com idades próximas que já não se sentem motivados, atraídos e excitados um com o outro. Buscam relacionamentos sexuais extraconjugais ou ressentem-se em si mesmos, deixando que a amargura e a falta de alegria lhes consumam a vivacidade.
Sobre isso, a medicina apresenta diversas alternativas que podem amenizar a diferença. Sem contar que o amor é criativo o suficiente para romper certas barreiras físicas. Enfim, corpos murcham inevitavelmente, mas almas não; podem revivescer facilmente, a qualquer idade, em qualquer tempo, com a chegada do amor!
Portanto, sou a favor da aceleração cardíaca, do friozinho na boca do estômago, da paz que pode haver num abraço, do acolhimento que pode ser encontrado num carinho... Estou certa, completamente certa, de que as relações duradouras não são satisfatórias ou insatisfatórias por causa da vivacidade física ou do desempenho sexual do casal.

Esses são conceitos absolutamente transitórios, relativos e efêmeros. Elas são válidas ou desastrosas de acordo com o quanto se tem de alma e coração nelas. Esta é a receita que dá certo, independentemente das idades cronológicas dos amantes.

Rosana Braga
http://www.rosanabraga.com.br/
Reconhecida como uma das maiores especialistas em relacionamentos interpessoais do país, pesquisadora da área há mais de 10 anos, Rosana Braga é conferencista, escritora, jornalista e consultora em relacionamentos. Autora de 5 livros e DVDs de Treinamento, tais como ‘O Poder da Gentileza’, ‘Faça o Amor Valer a Pena’, 'Inteligência Afetiva – 2 volumes', entre outros.



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