quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O Passado Deixa Pegadas - Osvaldo Shimoda

Por que já tentei várias vezes o suicídio?
Por que tenho atitudes infantis, não me sinto adulta, apesar de ter 40 anos?
Por que tenho tendência à depressão?
Por que sou agressivo, explosivo, detesto ser contrariado, não consigo me controlar?
Por que apesar de ser mulher, penso, sinto e ajo como um homem? Nas reuniões sociais, prefiro as rodas masculinas.

Estas e outras queixas são as mais comuns que ouço de meus pacientes. Eu me recordo de um paciente oriental, descendente de japonês, que me procurou querendo entender por que era tão explosivo, irado, pavio curto, detestava ser contrariado e, numa ocasião, ao ser contestado por sua namorada, como não podia agredi-la fisicamente, deu um murro na parede e foi parar no pronto-socorro com a mão fraturada. Ao passar pela regressão de memória, seu mentor espiritual lhe mostrou a cena de uma existência passada onde o paciente era um político poderoso (governador de uma província japonesa), amigo do Imperador, que mandava matar todos os que se opunham a ele. Trazia, portanto, na encarnação atual, a ira, a impaciência, o orgulho, o autoritarismo e a arrogância, traços de personalidade daquela vida pretérita.

A repetição de um padrão comportamental bastante antigo, vida após vida dos meus pacientes, é o que mais me chama a atenção nas sessões de regressão, do quanto o ser humano evolui de forma lenta e gradativa, como ser espiritual em evolução.
Sendo assim, o que observo em meu consultório, nas sessões de regressão, é que pacientes tímidos, medrosos, ciumentos, arrogantes, autoritários, invejosos, egocêntricos, desconfiados, inseguros, etc., já nasceram com essas tendências trazidas de outras encarnações, e que são aflorados no decorrer de suas vidas. Portanto, nosso modo de pensar, sentir, agir e reagir, são tendências que já trazemos de outras existências e não formamos nossa personalidade na infância como equivocadamente a psicologia e a pedagogia apregoam.

Observo também em muitos de meus pacientes com históricos de suicídio, que esse comportamento autodestrutivo não ocorreu só nesta vida, mas, em várias encarnações. São, portanto, espíritos suicidas. Daí explica por que essa tendência ao suicídio - em muitos casos - por qualquer adversidade da vida. O mesmo ocorre com os drogaditos (viciados em cocaína, maconha, crack, etc.) e alcoólatras - muitos também já consumiam drogas e bebidas alcoólicas em vidas passadas. Recordo de uma paciente que, apesar de ter 40 anos, não se sentia mulher, uma pessoa adulta. Ela preferia a companhia de crianças por se sentir melhor, se identificar com elas.
Veio a descobrir nessa terapia, que em todas suas encarnações faleceu prematuramente ainda criança, e somente em uma existência passada viveu até os 14 anos.
Portanto, ela nunca havia chegado à fase adulta ou na velhice em suas existências passadas. O mesmo ocorre também em relação aos papéis sexuais: há homens e mulheres que nunca foram do sexo oposto em suas encarnações passadas. Há pacientes do sexo masculino, que nunca reencarnaram como mulher em suas existências passadas. Justifica hoje o porquê de sua dureza, agressividade, frieza, excessiva objetividade e insensibilidade, falta de ternura e afetividade no trato com as pessoas, características da energia feminina. O inverso também ocorre: há mulheres que nunca reencarnaram como homem, daí sua excessiva dependência, insegurança, fragilidade, falta de iniciativa, coragem, ousadia, objetividade, traços característicos da energia masculina. É o caso de um paciente homossexual, que antes de assumir sua homossexualidade (na vida atual foi casado, teve três filhos, hoje sua ex-esposa é sua melhor amiga, e todos aceitaram sua condição homossexual) cultivava veladamente um desejo feminino - embora nunca quis mudar de sexo - de vestir-se como mulher, sair de salto alto, usar batom , fazer maquiagem.

Nas sessões de regressão, veio a entender que na encarnação atual era a primeira vez que veio como homem, pois sempre reencarnou como mulher em suas vidas passadas.
Antes de assumir sua homossexualidade, sentia, intuía, que havia alguém que ele precisava encontrar (não sabia que essa pessoa que ele procurava era a sua alma gêmea).
Seu mentor espiritual lhe revelou, que para ele se encontrar com sua alma gêmea precisava ter assumido sua homossexualidade, pois seu verdadeiro amor veio também como homem na encarnação atual.

Veja a seguir, o caso de uma mulher de 30 anos, solteira, homossexual, que veio ao meu consultório para entender por que em seus relacionamentos afetivos sentia um ciúme excessivo, medo de ser abandonada, de perder sua namorada.

Caso Clínico:
Ciúme excessivo e medo de se entregar nos relacionamentos afetivos
Mulher de 32 anos, solteira.

A paciente veio ao meu consultório querendo entender por que afastava suas namoradas, por conta de seu ciúme excessivo. Sentia um ciúme doentio, paranóico, não tinha paz, pois tinha um medo constante de ser abandonada. Não entendia por que não confiava nas pessoas, sobretudo em sua atual namorada. Não se sentia merecedora de ser amada por alguém e, com isso, tinha uma baixa auto-estima, um sentimento de desvalorização. No aspecto financeiro, tinha medo da falta, de não ter dinheiro, e terminar sua vida na miséria.
Na primeira sessão de regressão, a paciente me relatou: Sinto um frio muito grande (fala com o corpo trêmulo). Sinto também muita solidão... Tenho a impressão de estar num lugar muito gelado (ela estava descrevendo o umbral - reino das trevas -, que é um lugar muito gélido e escuro; o sentimento de solidão que ela estava sentindo, não vinha dela, mas, sim, de um ser espiritual das trevas, habitante desse lugar).

- Procure imaginar, visualizar uma luz grande, intensa e sem limites - Peço à paciente.
Estou dentro dessa luz, que imagino ser branca e arredondada.

- Você continua sentindo frio? - Pergunto à paciente.
Amenizou, melhorou um pouco, mas as minhas mãos e os pés continuam muito gelados.

- Pergunte em pensamento para esse ser espiritual (a comunicação nessa terapia com os seres espirituais, seja das trevas ou da luz, se dá em pensamento, intuitivamente) se quer receber auxílio, ser levado para a luz?
Ele não responde... Eu perguntei o fiz para ele no passado, e ele me respondeu: - Você me abandonou.

- Pergunte a esse ser como você o abandonou? - Peço à paciente.
Deixando de me amar, ele me respondeu.

- Que ligação que havia entre vocês nessa vida passada?
Tenho a impressão que esse ser espiritual é uma mulher, e está fora dessa luz onde estou.

- Pergunte-lhe se nessa relação afetiva você era homem ou mulher?
Diz que eu era homem... Ela está chorando, fala que sofreu muito quando a abandonei, pois eu não queria nenhum compromisso.

- Como ela veio a falecer nessa existência passada?
“Diz que não se envolveu com mais ninguém, que acabou morrendo sozinha, contraindo uma doença no coração (a paciente me disse que quando ficava deprimida, sentia pontadas no coração, achou que estava com um problema cardíaco, mas os exames médicos não acusaram nenhuma anomalia). Ela afirma que faleceu muito jovem, sentindo uma tristeza e solidão profunda. Fala chorando que eu fui muito irresponsável porque não respeitei o seu sentimento, que a traí com várias mulheres”. (pausa).

- Você quer lhe dizer algo? - Pergunto à paciente.
“Quero lhe pedir perdão, pois não achava que ela gostava tanto de mim (fala chorando).
Quero também lhe dizer que não brinquei com o seu sentimento propositadamente”. (pausa).

- Pergunte se ela tem algo a lhe dizer? - Peço à paciente.
“Ela está triste, mas não sabe se acredita no que lhe falei... Eu lhe digo que estou sendo sincera, que falei a verdade. Falo que fui leviana, que era uma irresponsável, mas que não fiz por mal”. (pausa).

- Vamos fazer a oração do perdão para lhe mandar a luz dourada de Cristo - Peço à paciente.
Com as mãos em imposição (palmas viradas para frente), emanamos a luz de Cristo, visualizando esse ser das trevas recebendo, sendo banhado por essa luz.
Após a oração, a paciente me disse: - Estou me sentindo mais calma. Vejo essa mulher no meio de uma luz dourada, em forma de sol. Sinto vontade de abraçá-la... Tem um outro ser espiritual, um rapaz com túnica branca... É um ser de luz, está do lado dela. Eu lhe pergunto se posso dar um abraço nela? Ele diz que sim... Estamos abraçadas, chorando, eu lhe peço perdão novamente pelo que lhe fiz, e ela me perdoa. (pausa).
Agora, o ser de luz pega na mão dela... Ela está se despedindo, fala para eu amar de verdade e não mais brincar com o sentimento alheio... Os dois estão indo embora, entram por um túnel e somem”.
Na sessão seguinte, 3ª e última, a paciente me disse: “Vejo um jardim muito bonito, têm árvores, gramados, um lago. É um lugar muito agradável, de muita paz, céu azul (ela estava descrevendo o plano espiritual de luz).
Vejo homens e mulheres com túnicas brancas, caminhando nesse jardim. É realmente um lugar muito agradável . Fico sentada olhando o lago, sentindo o ambiente calmo e sereno desse lugar... Vejo agora um homem também jovem, próximo de mim... Ele me convida a ir até uma casa... Parece uma biblioteca, tem algumas mesas, pessoas estudando. O lugar tem um tom claro e é muito amplo. Ele pede para eu estudar, aprimorar-me nas coisas do espírito, que assim vou poder ajudar melhor às pessoas (paciente hoje trabalha como terapeuta holístico)”.

- Pede para esse ser espiritual se identificar? - Peço à paciente.
“Ele diz que é um amigo, o meu mentor espiritual. Diz ainda que me conhece há muito tempo”.

- Pergunte-lhe por que você tem um ciúme excessivo, medo de ser abandonada, que a faz não se entregar em seus relacionamentos afetivos?
“Diz que venho repetindo os mesmos erros em várias encarnações”.

- Que erros?
“De não me importar com os sentimentos afetivos”.

- E o que é necessário para superar esse bloqueio emocional?
“Abrir-me mais para o amor, exercitando a compaixão, a ternura, o carinho”.

- Pergunte ao seu mentor espiritual por que na encarnação atual você veio como mulher?
“Ele diz que vim para sentir as dificuldades que uma mulher sente e, com isso, aprender a ser mais sensível, mais amorosa e, principalmente, valorizar às mulheres, pois em outras encarnações não as valorizei”.

- Pergunte-lhe como está aquela mulher, o ser espiritual, que foi resgatada das trevas?
“Diz que está se recuperando no astral superior, ainda chora um pouco, mas que vai melhorar. Ele pede para continuar orando por ela. Fala que não sou uma má pessoa, porém, nas existências passadas, brinquei muito, não tive consideração pelos sentimentos das pessoas, principalmente pelas mulheres”.

- Pergunte ao seu mentor espiritual por que hoje você reencarnou na condição homossexual?
“Porque mesmo tendo um corpo feminino, a minha alma ainda se sente atraída pelo sexo feminino, pois sempre vim como homem nas encarnações passadas, e na encarnação atual, é a primeira vez que venho como mulher. Fala que é um aprendizado, pois precisava sentir, perceber tudo o que uma mulher passa e, com isso, aprender a respeitar, valorizar o amor, pois tinha muito preconceito pelas mulheres. Eu as usava só para satisfazer os meus instintos, desejos carnais, tratando-as como se fossem seres de 2ª categoria. Achava que elas não mereciam confiança e respeito. Por isso, o meu mentor espiritual me diz que vim na vida atual como mulher para sentir na pele o que é ser mulher”.
Na 3ª e última sessão, ela me relatou: “Vejo um rapaz jovem... É o meu mentor espiritual. É o mesmo jardim do astral superior, estamos sentados num banco, e ele parece estar contente de me ver. Diz que está gostando de minha busca da minha verdade interior. Mas reitera que preciso abrir o meu coração. Peço para que ele me ajude, que preciso de coragem. Ele fala que preciso desbloquear o meu coração, mostrando os meus sentimentos, confiando mais em mim e nos outros. Fala ainda que o meu ciúme excessivo vem de uma vida passada mais distante, em que fui abandonada por uma mulher. Essa experiência traumática fez com que me fechasse e, como defesa, tornei-me uma pessoa insensível, não me entregando afetivamente para não vir a sofrer novamente”.

- Como você pode superar esse ciúme doentio?
“Valorizando-me, cultivando o amor próprio. Diz que todos nós temos o nosso valor. Pede para não desistir do amor só porque fui abandonada por uma mulher no passado. Ela me abandonou para ficar com outro homem”.

- Pergunte ao seu mentor espiritual de onde vem o seu sentimento de desvalorização, de achar que não tem merecimento, que ninguém vai amá-la verdadeiramente?
“Ele fala que vem também dessa vida em que fui trocada por outro homem. Fiquei com o orgulho ferido, não me entreguei a mais ninguém, pois sentia muita raiva por ela ter me abandonado”.

- De onde vem esse medo da falta, de perder dinheiro, e ficar na miséria?
“Ele fala que após ter sido abandonada, entrei em desequilíbrio, não quis mais trabalhar, pois caí na bebedeira, perdi todos os bens que possuía, e acabei na miséria”.

- Pergunte-lhe como você pode superar esse medo da falta, de perder dinheiro?
“Pede para buscar o equilíbrio emocional, conhecendo-me cada vez mais, seguindo a minha intuição, o meu coração, e que não estou só, que ele está sempre comigo. Pede também para fortalecer a minha fé - através das preces -, acreditando mais em mim, em minha capacidade e nos seres espirituais amigos, que são muitos. Fala também para eu estudar mais a literatura espiritual, mental e emocional. Diz que já venho estudando, mas que preciso me dedicar mais”.

- Pergunte-lhe qual o seu verdadeiro propósito de vida e o seu caminho espiritual?
“Diz que é abrir o meu coração, estudar mais, esclarecendo-me, vivenciando as experiências afetivas, que assim serei mais feliz e poderei fazer também outros felizes, como terapeuta holístico.
Ele me assegura que estará sempre próximo de mim, e que irá ajudar em meu processo de mudança para que possa abrir mais o meu coração”.

- Pergunte-lhe para finalizar o nosso tratamento, se você terá que voltar a essa terapia mais para frente?
“Fala que se eu realmente abrir o meu coração, não vou mais precisar voltar a essa terapia”.

Osvaldo Shimoda - osvaldo.shimoda@uol.com.br



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