segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Ser Sensível... - Ana Jácomo

“Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Esse jeito de ouvir além dos olhos, de ver além dos ouvidos, de sentir a textura do sentimento alheio tão clara no próprio coração e tantas vezes até doer ou sorrir junto com toda sinceridade. Essa sensação, de vez em quando, de ser estrangeiro e não saber falar o idioma local, de ser meio ET, uma espécie de sobrevivente de uma civilização extinta. Essa intensidade toda em tempo de ternura minguada. Esse amor tão vívido em terra em que a maioria parece se assustar mais com o afeto do que com a indelicadeza. Esse cuidado espontâneo com os outros. Essa vontade tão pura de que ninguém sofra por nada. Esse melindre de ferir por saber, com nitidez, como dói se sentir ferido.
Ser sensível nesse mundo requer muita coragem. Muita. Todo dia. Essa saudade, que às vezes faz a alma marejar, de um lugar que não se sabe onde é, mas que existe, é claro que existe. Essa possibilidade de se experimentar a dor, quando a dor chega, com a mesma verdade com que se experimenta a alegria. Essa incapacidade de não se admirar com o encanto grandioso que também mora na sutileza. Essa vontade de espalhar buquês de sorrisos por aí, porque os sensíveis, por mais que chorem de vez em quando, não deixam adormecer a ideia de um mundo que possa acordar sorrindo. Pra toda gente. Pra todo ser. Pra toda vida.
Eu até já tentei ser diferente, por medo de doer, mas não tem jeito: só consigo ser igual a mim.”

Ana Jácomo



2 comentários:

  1. Ao ler o texto acima "SER Sensível" de Ana Jácomo,pensei ter sido escrito para mim pois vivo o amor e propago o amor por onde passo.Às vezes, escuto piadinhas de pessoas que ainda estão no nível do rancor, da mágoa e outros sentimentos negativos como:"Ah, você é muito Zen"!Você é profetiza ou pastora? Mas eu não mudo minha postura não desisto de esbanjar o meu afeto.

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  2. Tenho com Ana Jácomo uma ligação espiritual, tanto sinto como meus os seus escritos Como o desconhecido acima, por vezes,como no caso deste texto, de incrível beleza, penso que eu mesma o escrevi.. Vivo assim, desse jeito, e me chamam de um ET perdido neste mudo frio e sem amor. Não importa, minha alma é feliz e eu assim o sou também.

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