segunda-feira, 26 de março de 2012

Acabou, e agora? - Maria Silvia Orlovas

Recebi Juliana arrasada pelo término de um relacionamento de dez anos e se sentia traída, abandonada, e totalmente sem forças. Olhando para mim ela perguntou: Acabou... e agora? Logo no início do nosso encontro, ela reclamou de tudo, menosprezou-se, achando-se burra por ter se doado tanto e, a cada palavra, ativava ainda mais a mágoa e ressentimento.
Boa ouvinte, como todo terapeuta deve ser, observei a entonação de voz, o movimento dos olhos, a expressão do corpo. Tudo era duro, rígido e, nitidamente, ela sentia dores no corpo. Quando comecei a sessão mostrando o movimento do pêndulo que media os seus chacras inferiores, ela confirmou todas as observações que fiz sobre sua conduta.
Através da percepção mediúnica, podemos perceber muitas coisas além da presença de espíritos, e a dor e a rigidez aparecem claramente.
Expliquei para minha cliente que, quando sofremos, normalmente criamos muitas resistências, vamos nos fechando dentro de escudos de proteção e naturalmente nessa energia passamos a exalar também a mesma freqüência. Então nos tornamos agressivos, exigentes, duros sem perceber. E ainda que tenhamos o desejo de agir amorosamente, e até tentemos fazer tudo pelas pessoas, a vibração não flui com tranqüilidade, com leveza. Os sentimentos vão carregados de medos, raivas, dores e histórias do passado.

Apareceram na sessão de Vidas Passadas várias histórias na sintonia da guerra. Vidas em que minha cliente tinha sido lutadora, guerreira. Existências em que ela não relaxou, não deixou as coisas fluírem, situação que ela me contou que se repete nessa vida, pois ela se diz extremamente exigente consigo mesma, mas acha que esse comportamento é o que lhe deu força até hoje. Pensa que por ser guerreira venceu todas as dificuldades profissionais, fez cursos, graduou-se. Então, como abrir mão da sua sustentação?

Expliquei que precisamos buscar o equilíbrio em nossas vidas e que não podemos nos comparar o tempo todo com as outras pessoas, atitude que ela cultivava com o ex-marido. O tempo todo exigia que ele se motivasse mais no trabalho, que ambicionasse novos horizontes como ela fazia. Na verdade, o sonho dessa mulher era construírem um patrimônio juntos, o que não parece errado, mas o problema era respeitar o tempo dele, e observar quais eram as prioridades de cada um. Porque de nada adianta fazer planos e lutar para conquistá-los se não for de consenso entre os parceiros.

Seu corpo e sua psique estavam carregados de uma dor que parecia não ter fim, porque Juliana estava presa à situação e não queria caminhar. Tinha medo de não encontrar um novo rumo, e o sentimento de derrota era enorme. Esclareci que precisamos dar um tempo para nós mesmos, e que o fim de um relacionamento é também um luto. Podemos nos revoltar, nos sentir traídos, não aceitar, mas com o tempo essas reações naturais devem ir passando, suavizando e a gente precisa caminhar, e se dar a chance de viver diferente. Aceitação de fracasso é fundamental para virar o jogo.

Como ela tinha sempre as mesmas lembranças ensinei um exercício que compartilho com você: (repita esse exercício de manhã e à noite por 21 dias).
Sente-se para meditar num lugar tranqüilo. Tente focar sua atenção naquela cena que mais lhe perturba, pode ser uma lembrança ou mesmo uma imagem que ficou gravada na sua mente. Imagine, então, que uma enorme luz, como um sol vai ofuscando a imagem, tornando a sua visão limpa pois aquilo que tanto perturba você vai se dissolvendo na luz.
Respire fundo, agradeça a Deus a sua libertação e afirme: aceito as mudanças com alegria, pois elas vêm para o meu bem.
Lembre-se que sua dor vai durar o tempo que você permitir. Invista na sua cura, porque sua vida é única, e você a pessoa mais importante da sua existência.

Maria Silvia Orlovas - morlovas@terra.com.br
http://mariasilviaporlovas.blogspot.com



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