terça-feira, 24 de julho de 2012

Relacionamento Com Sogras - Silvia Malamud

É possível prever se o relacionamento com a futura sogra será problemático. Como diz o dito popular, ninguém causa uma segunda primeira boa impressão. O que pode ocorrer, no entanto, se os primeiros contatos foram minimamente difíceis, que no decorrer do tempo, no percurso do desenvolvimento, tanto o relacionamento afetivo do casal como as relações familiares se estabilizem.
Dependendo da estrutura familiar, uma pessoa nova pode representar ameaça de inserção cultural alienígena aos códigos da mesma. Interessante notar isso ocorrendo mesmo quando em culturas bastante semelhantes. Elemento novo na família, por mais que seja almejado, sempre será um novo elemento.
Dentro deste espectro de observação, múltiplas são as nuances permeando o todo da relação sogra/ nora/ genro. Sabe-se que muitas mães desenvolvem narcisicamente cuidados excessivos com seus filhos e que nestes casos dói demais a possibilidade da "entrega" de suas crias a um outro estranho... e pior... mais jovem! Esquecem que os filhos já têm identidade própria independente da deles e que podem e devem fazer escolhas. Isso pode até parecer impossível, mas se pensarmos na linha de raciocínio subliminar e verdadeira, de que os filhos quando amadurecem uma relação que caminha para o casamento, impreterivelmente, evidenciam aos pais que estes estão ficando mais velhos. O sentido da finitude da vida evocado, pode trazer a sensação da síndrome do ninho vazio e da perda do sentido da vida para estes que estiveram "colados" por demais nos papéis de pai e principalmente de mãe.
Sogras que ao longo de suas vidas construíram identidade própria além da de serem mães, têm a tendência de ser excelentes parceiras de jornada na vida de noras, genros e filhos. Nesses novos papeis cada qual tem a sua individualidade e os encontros e convivência passam a ser são trocas afetivas de amor e de conhecimentos de vida.
Sogras e sogros com dificuldades para aceitação dessas mudanças de vida podem passar por crises emocionais bastante comprometedoras, possíveis sintomas manifestados podem passar por rejeição ao outro, depressão e agressividade. A dica nesses casos é de se criar uma identidade própria visando aproveitar o maximo da liberdade de se experimentar de modo diferente da estrutura anterior. Em casos mais severos, buscar auxílio de profissional competente é excelente dica para que esse novo tempo seja realmente uma inovação para melhor.
Noras, por sua vez, devem prestar atenção em possíveis comentários de cunho pejorativo, por parte das sogras. Por exemplo, sobre seus vestuários, modo de se expressar e outros, além de trabalharem internamente para não darem eco às provocações. Se a relação for prosseguir, verificar se ambas podem relevar, a fim de que a atenção sobre estes assuntos não seja alvo para mais julgamentos e críticas acirrando competição desnecessária.
Quando a relação fica muito sofrida, atitudes mais formais devem ser tomadas e um cuidado especial para não se mandar recados pelo filho(a), pois este não é joguete e a informação que fica é que a pessoa do recado ou é especial demais ou fraca demais. Uma conversa frente a frente de modo desarmado e em busca de harmonização, dependendo da situação, pode ser bastante promissora.
Por outro lado, também se deve ficar bem atento quando comentários negativos tornam-se contundentes e viciados. Se for o caso, refletir sobre o que poderá ser o futuro da relação em meio a esse padrão de interferências e se vale a pena prosseguir.
O tema é complexo e não podemos ser por demais simplistas, posto que às vezes a família observa diferenças culturais e de conduta dos namorados de modo gritante e querem e devem alertar os filhos. Por outro lado, às vezes existe a percepção equivocada de que o filho é o melhor de todos e a idealização sobre um parceiro à altura fica praticamente impossível.
Saber ponderar sobre essas questões e buscar clareza e discernimento é o ponto alto. Na dúvida, siga seu feeling, sua intuição e ouça sua voz interior. Dificilmente ela o enganará. Racionalizações podem ser boas em determinados momentos da vida, mas nem sempre são alimentos saudáveis à alma.

Silvia Malamud - Psicóloga Clínica
silvimak@gmail.com



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