terça-feira, 27 de novembro de 2012

Desconecte-se e Viva! - Sigmar Sabin

A vida é aventura ousada ou absolutamente nada.
(Helen Keller)

Quanto você vive conectado e acaba sendo dependente dessa conexão?

Ah, de que tipo de conexão que estou falando? Da tecnologia, mas não apenas da conexão com internet, através de computador pessoal, Tablet, Smartphones, etc.

Conectado de rotinas pré-estabelecidas ou que outras pessoas acabam por estabelecer e que sem se quer tomar consciência, você, digamos, acaba embarcando.

Vou explicar melhor relatando uma experiência minha.

Neste último feriado de sete de setembro, deixei uma proposta para meus contatos no Facebook. O recado dizia:

“Gente... Que tal praticar a Independência, neste feriado. É o que eu vou fazer. Ficar desconectado de tudo, internet, celular, civilização. Na volta eu conto como foi... Bom Feriado...”.

E foi isso que eu fiz nestes dias. Por duas simples razões. Primeiro, buscar o benefício pessoal da desconexão do mundo agitado e buscar uma conexão comigo mesmo e minha conexão com a natureza.

Outra razão é mostrar que minha proposta não é apenas um texto escrito no calor da emoção. Mas a descrição da minha própria prática. Por que escrever sobre qualquer assunto é relativamente fácil. Basta ter uma inspiração, associar alguma experiência de vida, resgatar assuntos estudados sobre o tema e lá sai um texto novinho, “cheio de magia”, que pode deixar algumas pessoas relativamente motivadas a querer praticar o ensinamento.

Então, decidi que iria viver uma experiência antes de escrever sobre ela.

Garanto a você, que o aprendizado e principalmente a vivência dessa experiência foi inesquecível.

Quebrar ou mudar um padrão, fugir da rotina, “sair do quadrado” como eu costumo dizer nas minhas provocações em sala de aula nem sempre é tão simples quanto imaginamos. Mas é muito benéfico, com certeza.

Para começar, meu objetivo era exatamente desconectar. Então procurei sair da cidade, sem um rumo predefinido. Sim, sem um rumo predefinido. Sair sem um destino decidido e traçado previamente.

Fui em direção da serra do mar. Já no primeiro trecho da viagem, antes mesmo de sair da cidade, a primeira lição. Ao chegar à rodovia que liga a cidade à região litorânea a BR-277, me deparo com o primeiro mega congestionamento. Milhares de carros dirigindo-se na mesma direção, com famílias inteiras carregando na bagagem a esperança de um fim de semana prolongado na paia.

Lá estava eu também, parado. Creio que a única diferença entre eu e todas aquelas pessoas, era o propósito de estar ali. Ou seja: eu não tinha um destino pré-estabelecido, o que não me obrigaria ficar a espera de um “milagre” para que aquelas filas quilométricas de carros, começassem a se movimentar.

Tomei a primeira decisão, mais radical. Sair desse congestionamento o mais breve possível. Na primeira oportunidade busquei um caminho alternativo e fui em direção à outra rodovia. Que surpreendentemente, no trecho urbano estava fluindo. Alegria que durou pouco. Uns poucos quilômetros rodados e lá estava ele novamente. O congestionamento.

Bem, deve ser uma situação momentânea, algum acidente que logo passa e libera o fluxo, pensei.

Nada. O transito se movia a menos de 10 km por hora.

Lá estava eu, pensando: O que estou fazendo aqui? As demais pessoas, imaginei, estão fugindo da cidade, querem aproveitar o feriado, vão para o litoral. E eu? Não tinha nem que estar ali.

Vou ter que sair daqui, mas para onde? Eu não tinha um destino traçado e como um célebre pensamento de Sêneca: “Enquanto o homem não souber para que porto queira ir, nenhum vento será o vento certo”.

Porém, não ter um destino certo era meu propósito. Menos ficar parado por horas num congestionamento, para ir aonde todos iam.

Vamos, lá, buscar outro caminho. Outra rodovia?

Ao buscar uma saída daquela situação me deparei com uma placa indicado algumas localidades, das quais já tinha ouvido falar, mas nunca havia ido até lá para conhecê-las, muito menos conhecia a estrada. A resposta brilhou na minha mente: É por aqui que vou.

Não poderia deixar de compartilhar com você, que a experiência de conhecer localidades novas, caminhos novos, foi uma aventura tão gratificante, que vou repeti-la outras vezes, em outras direções.

Como meu propósito foi desde o início, desconectar, eu consegui alcançar esse objetivo. Além da experiência e do aprendizado que obtive ao desligar de rotinas, de destino pré-estabelecidos eu conheci lugares novos e novas estradas.

Provavelmente, você queria me perguntar: O que isso tem a ver comigo?

Eu direi: Se desconectar de vez em quando é muito bom. Por que vivemos em função de rotinas, que nos tornam dependentes de tecnologias, da internet, de celulares, do trânsito, que nos proporcionam momentos de estresse. A ponto de não vermos a hora de chegar um feriado ou uma oportunidade para “fugir” da “muvuca” da cidade, que nos sujeitamos ficar por horas num congestionamento apenas para sentir a sensação de que estamos saindo da rotina.

Será que isso é saudável?

Sigmar Sabin



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