segunda-feira, 2 de setembro de 2013

DESPEÇO-ME... - Ivanildo Falcão da Gama

Despeço-me sem saudades do que já fui,
Do que seria o meu porvir,
Dos sonhos que naufragaram,
Do que precisava pensar, ver, sentir e agir.
Despeço-me de minhas ilusões,
Despedindo-me de minhas frustrações,
Daquilo que não fiz e precisava fazer.

Despeço-me daquilo que não pude saber,
Despedindo-me do meu pretérito viver,
Sabendo hoje mais do que jamais,
Que é exatamente no instante milimétrico do agora,
Bem aqui, que devo integralmente viver,
Para mais qualitativamente pensar, sentir e querer.
Donde sonhos desfeitos podem ser refeitos,
Donde as ilusões do passado me ensinaram.
E as frustrações de outrora me alicerçam sólido porvir,
Pretendendo viver inteiro no devir
De cada dia, de cada estação, na comunhão diária com o Divino.

Despeço-me do acalanto do manto de menino,
Mas conservo desse tempo indeléveis, sábias e alegres lembranças
Re-aprendendo com elas,
Acalentando o calor do imprescindível amor,
Que devo em tudo que faço, fizer,
Sedimentar e instalar amorosamente nas ações de meus dias,
Acalentando novo acalanto da minha vida em novo canto,
Sem mais o encanto
Das fascinações que já tive.

Olho agora para dentro de mim e qual detetive de minha Alma
Busco me saber, me entender, me desprender
Das amarras de meus apegos, dos grilhões de meus pré-conceitos
Despedindo-me das imperfeições
Que tive o privilégio de viver,
Pois esses erros, essas frustrações, essas ilusões, os sofrimentos,
Fizeram-me mais forte e consciente hoje,
Fizeram-me crescer.

Despeço-me de todas as mágoas, ressentimentos,
Que porventura em mim fizeram morada,
Invocando de minha Alma o perdão
Para todos quantos fizeram parte de minha vida
Perdoando-me primacialmente, primeiramente.
Despeço-me da dor acalentada ou sofrida,
E assim vislumbro novos horizontes:
A Ascensão aos Céus de Mim mesmo!
Despeço-me do andar inconsequentemente a esmo,
E me dou agora boas vindas a radiante futuro,
No esforçar-me sem esforço,
Para me redescobrir, me re-achar,
Apesar do turbilhão do ego,
Que outrora como um cego,
Dantes me iludia com sua falsa identidade.
Pois tudo é vaidade, vaidade...
E a ilusão está na transitoriedade
Pois tudo passa, tudo passa...
Só nossa Imortalidade em Unicidade com Deus,
Não passa.

Despeço-me assim da identificação com a personalidade,
Que ontem era senhor, hoje é nova realidade...
O ego deve ser sempre um instrumento
De iniciação, de crescimento,
Deve ser afiado para servir
Aos propósitos superiores da vida.

E assim, abrindo caminhos para novo tempo, para novo espaço
Nos ilimites de nosso Eu Maior, nosso Eu Crístico, nosso Eu Superior.
E quando a Ele temos acesso,
Não mais conheceremos o dual sofrimento, a dor.

Despedindo-me do supérfluo, do banal
E me redescobrindo paulatinamente,
Não no que fui ou serei,
Mas no que realmente Eu Sou,
Agora! Agora! Agora!


Ivanildo Falcão da Gama
11.06.2012
emamoreluz@gmail.com
www.supraconsciencia.blogspot.com



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